Sargento da PMRR evita tragédia e salva casal de afogamento no rio Cauamé

Raniely Carvalho
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O sargento da Polícia Militar de Roraima (PMRR), Manoel Toribio, impediu que um afogamento no rio Cauamé terminasse em tragédia. Um ato de bravura marcou a tarde do dia 12 de outubro, em Boa Vista.

O militar, que estava de folga, salvou um casal que caiu na água após o caiaque em que estavam virar por causa das ondas provocadas por motos aquáticas que trafegavam próximas à Praia do Caçari.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela vítima Cleberson Ferreira Marques, de 25 anos, ele e a esposa, Wellen Regina Silva de Deus, haviam alugado um caiaque para praticar pesca esportiva e retornavam à Praia do Banho Cauamé quando foram surpreendidos pelas fortes ondas causadas por jet skis.

Casal foi arrastado pela correnteza após o caiaque virar

O afogamento no rio Cauamé ocorreu de forma repentina. Com o impacto das ondas, o caiaque virou, e o casal, que não sabia nadar, foi arrastado pela correnteza até uma área de galhadas.
Ambos pediram socorro, mas ninguém nas proximidades atendeu aos gritos.

Durante o desespero, Cleberson bateu a cabeça em um tronco e ficou parcialmente desacordado.
Enquanto isso, a esposa tentava se manter à tona, sem sucesso, já bastante exausta.

Foi nesse momento que o sargento Toribio, que navegava em um barco pela região, percebeu a movimentação e agiu imediatamente.

Ele pulou na água sem hesitar, mesmo fora de serviço, e conseguiu resgatar Cleberson primeiro, levando-o até a margem com muito esforço.

Ao recobrar a consciência, a vítima informou que a esposa ainda estava desaparecida, o que fez o militar retornar ao rio para novas buscas.

Logo depois, encontrou Wellen Regina, já com sinais de exaustão e pânico. O sargento conseguiu segurá-la, rebocar o caiaque e levá-la até um ponto seguro.

Sargento emprestou o celular e prestou apoio até o fim

Após o resgate no afogamento no rio Cauamé, o sargento Toribio emprestou o próprio celular para que o casal entrasse em contato com familiares e com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
As vítimas perderam dois celulares, coletes salva-vidas e equipamentos de pesca, avaliados em cerca de R$ 10 mil.

Mesmo com o susto e o abalo emocional, Cleberson e Wellen passam bem e não apresentaram ferimentos graves.

O caso foi registrado na Delegacia Virtual da Polícia Civil de Roraima, e a PM destacou o ato heroico do sargento, que deve receber elogio formal pela corporação.

Afogamento no rio Cauamé: alerta para os riscos

O episódio reforça os riscos de afogamento no rio Cauamé, especialmente nos finais de semana e feriados prolongados, quando o número de banhistas e embarcações aumenta significativamente.

O rio Cauamé é um dos pontos mais frequentados de Boa Vista, com praias urbanas como Caçari e Curupira, que atraem famílias, pescadores e praticantes de esportes aquáticos.
Apesar disso, o local não possui sinalização adequada nem equipe de salva-vidas fixa durante todo o ano.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR), a maioria dos acidentes aquáticos registrados em Boa Vista ocorre por falta de coletes salva-vidas, ingestão de álcool e imprudência de condutores de embarcações.

Dados de afogamentos em Roraima

De acordo com o CBMRR, Roraima registra entre 30 e 40 afogamentos por ano, sendo o rio Cauamé e o rio Branco os locais mais críticos.

Em 2024, nove pessoas morreram afogadas apenas entre os meses de junho e outubro, período em que há aumento do turismo fluvial por conta da vazante dos rios.

A corporação recomenda que banhistas e esportistas utilizem sempre coletes salva-vidas homologados, evitem nadar em locais com correnteza forte e não misturem bebidas alcoólicas e atividades aquáticas.

Segurança nas águas: prevenção é o melhor resgate

Especialistas reforçam que o primeiro passo para evitar afogamentos é adotar comportamentos preventivos.
Entre as medidas recomendadas estão:

  • Usar colete salva-vidas sempre que entrar em embarcações pequenas;

  • Evitar navegar em áreas com jet skis;

  • Não nadar sozinho;

  • Redobrar a atenção com crianças e pessoas que não sabem nadar;

  • Em caso de emergência, não mergulhar para tentar salvar, mas acionar imediatamente os bombeiros (193) ou o SAMU (192).

A ação do sargento Toribio não apenas evitou duas mortes, mas também reacendeu o debate sobre segurança aquática em Roraima.

O caso do afogamento no rio Cauamé evidencia a importância de respeitar normas de navegação e manter o cuidado com o próximo, especialmente em locais populares como o rio Cauamé.

O casal resgatado passa bem e prometeu retornar ao local apenas com equipamentos de segurança adequados. Já o sargento, emocionado, afirmou que “apenas cumpriu seu dever como ser humano e policial”.

Quais são as principais causas de afogamento no rio Cauamé?

Segundo o Corpo de Bombeiros de Roraima, os principais fatores são:

Falta de colete salva-vidas;

Excesso de confiança ao entrar no rio;

Correntes fortes e banzeiros provocados por embarcações;

Consumo de álcool antes de atividades aquáticas;

Falta de sinalização e de fiscalização nos balneários.

O que devo fazer se alguém estiver se afogando?

Nunca entre na água sem preparo.
O ideal é chamar ajuda imediatamente (telefone 193) e lançar objetos flutuantes para a vítima — como boias, galões, cordas ou isopores.
Se o socorro profissional demorar, mantenha contato visual e verbal, incentivando a pessoa a se manter calma e respirar devagar.
Após o resgate, se a vítima estiver inconsciente, inicie a reanimação cardiopulmonar (RCP), se souber o procedimento.

O uso de jet skis é permitido em áreas de banho?

Sim, porém com restrições.
A Marinha do Brasil exige que condutores de motos aquáticas mantenham distância mínima de 200 metros das margens e banhistas, além de portar habilitação náutica (Arrais-Amador) e equipamentos de segurança obrigatórios.
O desrespeito às normas pode resultar em multa, apreensão do veículo e até responsabilização criminal, caso provoque acidentes como o afogamento no rio Cauamé.

Quais órgãos atuam na prevenção de afogamentos em Roraima?

As ações são coordenadas por:

Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR) – resgates e patrulhamento aquático;

Marinha do Brasil – fiscalização de embarcações;

Defesa Civil Estadual e Municipal – campanhas educativas;

Polícia Militar e Ambiental – controle de áreas de banho e uso de jet skis.

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Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
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