“Qualquer hora posso chegar”: bombeiro usava Pix para perseguir a ex em Roraima; veja os prints

Redação
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A Polícia Civil de Roraima investiga um bombeiro militar da reserva, de 46 anos, suspeito de usar transferências bancárias de valores simbólicos para manter contato e intimidar a ex-mulher. Segundo a investigação, o bombeiro usava Pix para perseguir a ex depois de ter sido bloqueado nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens.

Prints de comprovantes anexados ao inquérito mostram transferências de R$ 0,01, R$ 1, R$ 2 e R$ 5. No campo destinado à descrição do pagamento, o investigado teria escrito cobranças, acusações de traição, ofensas e mensagens indicando que poderia aparecer na residência da vítima.

Em uma das mensagens, ele escreveu que não desistiria da mulher, mesmo sabendo que estava bloqueado. Em outra transferência, afirmou que ainda morava no local e que poderia chegar “a qualquer hora”.

O bombeiro foi preso preventivamente no sábado (1º), em Boa Vista. Ele é investigado por perseguição, violência psicológica, ameaça e tentativa de estupro. A prisão cautelar não representa condenação, e a responsabilidade criminal será definida no decorrer do processo.

Bombeiro usava Pix para perseguir a ex após ser bloqueado

De acordo com a Polícia Civil, a vítima bloqueou o ex-companheiro nas redes sociais e nos aplicativos de conversa, mas ele teria buscado uma nova forma de enviar mensagens.

Transferências tinham valores de até R$ 5

Os comprovantes mostram movimentações com quantias pequenas, entre um centavo e cinco reais.

O objetivo aparente das transações, segundo a investigação, não era repassar dinheiro, mas utilizar o campo de descrição do Pix como canal de comunicação.

Como os valores entravam na conta da mulher, ela recebia a notificação e visualizava o conteúdo escrito pelo remetente.

Mensagens continham cobranças e intimidações

Entre os textos atribuídos ao investigado estavam frases sobre o bloqueio, exigências para que a vítima voltasse a conversar com ele e afirmações de que não desistiria de procurá-la.

Em um dos comprovantes, o suspeito escreveu:

“Eu não vou desistir de você, sei que me bloqueou.”

Em outro, afirmou:

“Só para avisar que eu ainda moro aí […] qualquer hora posso estar chegando.”

Os prints também registram acusações de traição, ofensas e cobranças relacionadas aos pertences da vítima.

Pix teria sido usado para contornar bloqueios

Para os investigadores, o uso do sistema bancário permitia ao suspeito ultrapassar a barreira criada pela ex-mulher ao bloquear seus canais de contato.

Descrições apareciam nas notificações bancárias

O campo de descrição de uma transferência pode ser utilizado pelo remetente para informar a finalidade do pagamento. No caso investigado, esse espaço teria sido transformado em meio para o envio recorrente de mensagens.

A Polícia Civil aponta que o bombeiro usava Pix para perseguir a ex porque sabia que os comprovantes e as notificações seriam exibidos no aplicativo bancário da vítima.

Transferência não torna a mensagem menos relevante

O fato de a comunicação ocorrer por meio de um aplicativo bancário não impede que seu conteúdo seja analisado como elemento de prova.

Mensagens, horários, frequência das transferências e demais circunstâncias podem ser reunidos para demonstrar eventual repetição da conduta e o impacto causado à vítima.

A validade de cada prova e seu peso no processo serão avaliados pelas autoridades policiais, pelo Ministério Público e pela Justiça.

Investigação aponta perseguição fora do ambiente digital

Segundo a Polícia Civil, os contatos por Pix faziam parte de um contexto mais amplo de perseguição.

Suspeito teria monitorado a rotina da ex

A apuração indica que o bombeiro buscava informações sobre os horários e compromissos da vítima.

Ele teria perguntado a conhecidos se a ex-mulher participaria de eventos esportivos e aparecido em locais frequentados por ela.

Esses episódios são analisados em conjunto com as transferências bancárias para verificar a existência de uma conduta reiterada de vigilância, intimidação e invasão da privacidade.

Polícia apura tentativa de estupro

Além de perseguição, ameaça e violência psicológica, o investigado também é suspeito de tentativa de estupro contra a ex-companheira.

Os detalhes dessa acusação não foram divulgados no material apresentado. O caso permanece sob investigação e tramita com as garantias legais de defesa.

Bombeiro foi preso preventivamente em Boa Vista

A ordem de prisão foi cumprida no sábado (1º), durante uma operação realizada na capital roraimense.

Ação reuniu diferentes forças de segurança

Participaram do cumprimento do mandado policiais do Departamento de Operações Especiais (Dopes), por meio do Grupo de Resposta Tática (GRT).

A ação também contou com operadores do Programa Brasil Contra o Crime, Operação Divisas, iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública coordenada em Roraima pela Secretaria de Segurança Pública.

O que significa prisão preventiva?

A prisão preventiva é uma medida cautelar decretada pela Justiça antes de uma condenação definitiva.

Ela pode ser determinada, entre outras hipóteses, para proteger a vítima, preservar a investigação, evitar novos crimes ou garantir a aplicação da lei penal.

O investigado continuará tendo direito ao contraditório e à ampla defesa.

Quais crimes são investigados?

A Polícia Civil informou que o bombeiro é investigado por perseguição, violência psicológica contra a mulher, ameaça e tentativa de estupro.

Crime de perseguição

O artigo 147-A do Código Penal define perseguição como a conduta reiterada de ameaçar a integridade física ou psicológica de alguém, restringir sua locomoção ou invadir e perturbar sua liberdade ou privacidade.

A pena básica é de seis meses a dois anos de reclusão e multa. A punição pode ser aumentada quando a vítima é mulher e o crime ocorre por razões relacionadas à condição do sexo feminino.

Violência psicológica contra a mulher

O artigo 147-B do Código Penal pune atos que causem dano emocional à mulher ou busquem controlar suas ações, decisões e comportamentos por meio de ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento ou chantagem.

A Lei Maria da Penha também reconhece como violência psicológica práticas como vigilância constante, perseguição, insultos e violação da intimidade.

Ameaça e tentativa de estupro

As mensagens também poderão ser examinadas para verificar eventual crime de ameaça. Já a acusação de tentativa de estupro dependerá da comprovação de que o investigado iniciou atos destinados à prática do crime, mas não conseguiu consumá-lo por circunstâncias alheias à própria vontade.

As penas não devem ser simplesmente somadas antes da análise judicial. O enquadramento final dependerá da denúncia do Ministério Público, das provas e da eventual sentença.

Como guardar provas de perseguição por meios digitais?

Casos semelhantes podem envolver mensagens por redes sociais, e-mail, aplicativos bancários e outras plataformas.

Preserve prints e comprovantes

A vítima pode guardar:

  • capturas de tela completas;
  • comprovantes bancários;
  • datas e horários das mensagens;
  • extratos das transferências;
  • áudios, vídeos e e-mails;
  • nomes de testemunhas;
  • registros de aparições em locais frequentados.

É recomendável não editar os arquivos originais e manter cópias em local seguro.

Onde denunciar

Situações de risco imediato devem ser comunicadas à Polícia Militar pelo telefone 190.

Mulheres também podem buscar orientação pelo Ligue 180, procurar uma delegacia ou solicitar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Resumo do caso

Informação Detalhes
Investigado Bombeiro militar da reserva
Idade 46 anos
Vítima Ex-mulher do suspeito
Meio utilizado Transferências via Pix
Valores mencionados R$ 0,01, R$ 1, R$ 2 e R$ 5
Conteúdo Ofensas, cobranças e mensagens de intimidação
Prisão Preventiva
Local Boa Vista, Roraima
Crimes investigados Perseguição, violência psicológica, ameaça e tentativa de estupro
Investigação Polícia Civil de Roraima

Como o bombeiro enviava mensagens após ser bloqueado?

Segundo a investigação, ele fazia transferências de pequenos valores e escrevia as mensagens no campo de descrição do Pix.

Quais valores eram transferidos?

Os comprovantes mostram transferências de R$ 0,01, R$ 1, R$ 2 e R$ 5.

O que diziam as mensagens?

Os textos continham cobranças, ofensas, acusações de traição e frases interpretadas pela investigação como intimidação, incluindo a afirmação de que ele poderia aparecer na residência a qualquer momento.

O bombeiro foi preso?

Sim. Ele foi preso preventivamente em Boa Vista no sábado (1º).

Quais crimes são investigados?

A Polícia Civil apura suspeitas de perseguição, violência psicológica, ameaça e tentativa de estupro.

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Conteúdo elaborado pela Direção de Redação do Portal Raniely Carvalho, com produção realizada por equipe graduada e especializada, seguindo critérios técnicos e editoriais.
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