A Polícia Civil de Roraima (PCRR), por meio da Draco e da Corregedoria-Geral, cumpriu nesta quarta-feira (26) mandados de prisão preventiva contra o delegado John Allan Cunha Castilho e o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo, ambos da Polícia Civil do Amazonas. A dupla foi presa em Manaus por participação em uma organização criminosa que simulava operações para praticar o roubo de ouro em Boa Vista, subtraindo mais de R$ 800 mil e 30 kg do minério em uma única ação.
As prisões são desdobramentos da investigação que já havia detido o influenciador digital Ivan Luiz Bastos Guimarães, o “Itz Ivan”, em Florianópolis (SC), além do investigador roraimense Marcelo Henrique Sobral. Ao todo, a rede criminosa causou um prejuízo estimado em mais de R$ 23 milhões na região.
Falsa operação policial e os crimes apontados no roubo de ouro em Boa Vista
O esquema funcionava por meio de uma emboscada articulada pelo influenciador no bairro Caçari. Ivan, que atuava como intermediador, simulou uma abordagem policial em sua própria residência para tomar o dinheiro do comprador e a carga do garimpeiro. Na ação, o grupo utilizou uma viatura oficial descaracterizada, distintivos, armas e fardamento para dar aparência de legalidade à apreensão de mentira.
No âmbito jurídico, os envolvidos no escândalo de roubo de ouro em Boa Vista responderão por graves infrações do Código Penal e de leis especiais:
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Roubo Majorado (Artigo 157, § 2º do CP): Configurado pelo concurso de duas ou mais pessoas, restrição de liberdade das vítimas e uso de arma de fogo.
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Organização Criminosa (Lei 12.850/2013): Com pena de 3 a 8 anos de reclusão para quem promove, constitui ou integra associação estruturada para a prática de infrações graves.
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Lavagem de Dinheiro (Lei 9.613/1998): Atribuída especialmente ao operador financeiro do grupo para ocultação dos bens de origem ilícita.
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Fraude Processual (Artigo 347 do CP): Aplicada ao policial de Roraima que tentou destruir o próprio celular durante a abordagem pericial.

Bloqueio de bens e atuação das forças de segurança
A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens, imóveis e contas bancárias dos investigados no caso de roubo de ouro em Boa Vista. Além das prisões, a Corregedoria instaurou Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para avaliar a demissão dos agentes públicos.
A apuração integrada envolveu a Polícia Federal, o Gaeco do Ministério Público e a Draco. Os agentes do Amazonas foram formalizados e permanecem à disposição da Justiça, enquanto as diligências prosseguem para identificar outros desdobramentos do roubo de ouro em Boa Vista.
Como funcionava a emboscada na casa do influenciador?
O influenciador agendou a compra do minério em sua própria residência. Enquanto intermediava o negócio, acionou os policiais para que invadissem a casa usando viatura e distintivos, simulando uma apreensão oficial para levar a carga e o dinheiro sem deixar suspeitas.
Quais policiais foram presos durante a operação?
Foram presos um delegado e um investigador da Polícia Civil do Amazonas (em Manaus) e um investigador da Polícia Civil de Roraima (em Boa Vista), este último flagrado também por tentar destruir provas.
Qual foi a quantia total bloqueada pela Justiça?
O Poder Judiciário determinou o bloqueio de cerca de R$ 20 milhões em valores, imóveis e veículos de luxo dos investigados para ressarcir os danos e paralisar a lavagem de dinheiro do grupo.
