Influenciadora Agatta Sena denuncia uso de IA em imagens falsas feitas por ex-namorado

Raniely Carvalho
6 min Read

A influenciadora e social media Agatta Sena voltou às redes sociais para denunciar o ex-namorado, Igor da Silva, por produzir imagens falsas usando inteligência artificial e divulgá-las em sites de conteúdo adulto.
Segundo a jovem, esta é a segunda vez que ela registra boletim de ocorrência contra o suspeito pelo mesmo tipo de violência digital.

Agatta afirma já ter reunido todas as provas de que o material é fruto de manipulação digital, incluindo metadados, arquivos, links e prints que comprovam a adulteração.

“Eu não aguento mais. Tenho todas as evidências de que essas fotos foram feitas com inteligência artificial. Quero justiça”, desabafou.

Como Agatta Sena descobriu as imagens falsas e como funcionam essas montagens com IA

A influenciadora Agatta Sena relatou que começou a receber mensagens anônimas alertando sobre imagens íntimas supostamente dela circulando em sites adultos.

Assustada, ela acessou os links enviados e encontrou montagens hiper-realistas, feitas por IA, usando seu rosto colado sobre corpos de outras mulheres.

Esse tipo de montagem é conhecido como deepfake pornográfico, uma das formas mais agressivas de violência digital, pois utiliza:

  • algoritmos de inteligência artificial;

  • substituição facial (face swap);

  • renderização realista;

  • técnicas de machine learning para simular expressões humanas.

A maior gravidade se dá porque o conteúdo parece real, mesmo não sendo. Isso prejudica a dignidade, a reputação e a saúde mental da vítima de forma quase irreversível.

Deepfake pornográfico: um crime crescente e ainda difícil de combater

O caso de Agatta Sena chama atenção porque o Brasil vive um aumento explosivo de crimes digitais relacionados a deepfake.
Ferramentas gratuitas permitem, em poucos cliques, produzir conteúdo:

  • altamente realista;

  • praticamente impossível de diferenciar do real;

  • capaz de viralizar antes mesmo de ser denunciado.

Especialistas explicam que, no caso de conteúdos íntimos falsos:

  • O dano ocorre mesmo se a imagem não for real, pois o objetivo é humilhar e expor.

  • O impacto psicológico pode envolver depressão, ansiedade, pânico e isolamento social.

  • A remoção do conteúdo da internet é difícil, porque novos perfis reaparecem com reuploads.

O que diz a lei brasileira sobre deepfake pornográfico, mesmo sem legislação específica

Embora o Brasil ainda não tenha uma lei exclusiva para deepfakes íntimos, diversos mecanismos jurídicos já garantem punição ao agressor.

Injúria, difamação e calúnia (Código Penal)

Quando o conteúdo é usado para humilhar, ferir a honra e espalhar mentiras, podem ser aplicados:

  • injúria (art. 140);

  • difamação (art. 139);

  • calúnia (art. 138).

Crimes sexuais digitais (Lei 13.718/2018)

Essa lei inclui punição para:

  • divulgação de conteúdo íntimo sem consentimento;

  • exposição humilhante com viés sexual;

  • pornografia de vingança (sextorsão).

Mesmo sendo deepfake, o entendimento jurídico atual é:
divulgar conteúdo sexual de alguém real ou falso, sem autorização é crime.

A pena pode chegar a 5 anos de prisão, agravada quando a vítima é mulher.

Lei Carolina Dieckmann: uso de dispositivos eletrônicos para cometer crimes digitais

A Lei Carolina Dieckmann (Lei 12.737/2012) é frequentemente usada em casos de crimes digitais.
Ela pune quem:

  • invade dispositivos;

  • altera arquivos;

  • dissemina conteúdo obtido ou manipulado digitalmente.

Mesmo sem invasão direta, a manipulação e divulgação indevida de conteúdo podem ser enquadradas como delito de adulteração de dados para prejudicar a vítima.

Marco Civil da Internet e o direito de remoção imediata do conteúdo

O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) assegura à vítima o direito de exigir:

  • remoção urgente do conteúdo;

  • preservação de dados dos autores;

  • identificação dos responsáveis;

  • responsabilização civil de plataformas que não cumprirem a retirada após notificação.

Isso significa que Agatta Sena pode:

  1. enviar notificação formal aos sites;

  2. solicitar retirada imediata do material;

  3. responsabilizar plataformas que não cumprirem.

O papel da Lei de Violência Psicológica contra a mulher

A Lei 14.188/2021, que trata da violência psicológica contra a mulher, também se aplica ao caso, porque:

  • expor a vítima com conteúdo falso;

  • afetar sua autoestima;

  • causar humilhação pública;

  • produzir constrangimento social…

…são atos configurados como violência psicológica com pena ampliada.

Assim, o agressor pode responder simultaneamente por crimes digitais e por violência de gênero.

O que a Justiça pode determinar nesses casos

Com base nas leis já existentes, a Justiça pode:

  • determinar a remoção urgente de todos os links;

  • bloquear perfis usados para divulgar o material;

  • autorizar busca e apreensão de dispositivos do agressor;

  • solicitar perícia em computadores e celulares;

  • aplicar medida protetiva à vítima;

  • proibir o acusado de se aproximar ou manter contato;

  • abrir investigação por crime sexual e violência digital.

Dependendo da gravidade, o caso, como da Agatta Sena, pode evoluir para perseguição digital (stalking), tipificada pela Lei 14.132/2021.

Quem é Agatta Sena?

É uma influenciadora e social media que denunciou o ex-namorado por criar e divulgar imagens falsas produzidas com IA.

As imagens eram reais?

Não. Segundo Agatta, são montagens com IA, conhecidas como deepfakes.

Isso é crime mesmo sendo falso?

Sim. A lei protege a pessoa mesmo quando o conteúdo íntimo for manipulado, pois o dano à honra e dignidade é real.

Qual a punição para quem cria deepfake pornográfico?

Dependendo do caso, pode chegar a 5 anos de prisão, além de indenizações por danos morais.

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Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
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