Criança no Maranhão chora ao lembrar da mãe vítima de feminicídio

Raniely Carvalho
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Um vídeo gravado em Pedro do Rosário, no Maranhão, tem comovido milhares de pessoas em todo o país.
Nas imagens, um menino aparece chorando, com a sinceridade e a dor que só uma criança consegue expressar, e diz uma frase que partiu o coração de quem assistiu:

“Se minha mãe tivesse viva, eu não estaria sujo.”

A frase curta, mas devastadora, ressoa como um grito silencioso de saudade. O menino é filho de Dona Cirani, uma mulher trabalhadora, cheia de vida e sonhos, brutalmente assassinada pelo próprio companheiro no dia 16 de fevereiro de 2025, mais uma vítima do feminicídio que assombra o Brasil.

Desde então, a rotina das crianças se transformou em um retrato da ausência: sem a mãe, sem o lar e com poucas condições para recomeçar. Entre a saudade e o vazio deixado pela violência, elas tentam sobreviver ao luto e à falta de amparo.

Uma ferida que vai além das estatísticas

O vídeo viralizou nas redes sociais justamente porque vai muito além das palavras. Ele expõe, com a força da inocência, a realidade de tantas crianças órfãs do feminicídio, que crescem tentando entender por que o amor da mãe lhes foi arrancado de forma tão cruel.

Cada lágrima do menino é o retrato de um país em que a violência de gênero ainda rouba vidas todos os dias e com elas, infâncias inteiras.

A história de Dona Cirani e de seu filho é um apelo à consciência coletiva: por trás de cada número nas estatísticas, há vidas despedaçadas, famílias destruídas e crianças que carregam marcas invisíveis.

Que o choro dele ecoe como um pedido de mudança

Que a dor desse menino desperte em todos nós o compromisso de lutar contra a violência, de proteger quem ainda pode ser salvo e de cobrar das autoridades ações firmes e contínuas contra o feminicídio.

Porque nenhuma criança deveria crescer aprendendo o que é a dor da perda antes de entender o que é o amor de uma mãe.

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Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
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