Moradores cobram andamento das obras de asfalto na Vicinal 01 do Truarú

Raniely Carvalho
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Moradores da Vicinal 01, localizada na região do Truarú, zona rural de Boa Vista, cobram explicações das autoridades sobre o asfalto prometido para a estrada.

Segundo os relatos, a empresa COEMA, responsável pelo serviço, chegou a executar a terraplenagem, mas desde então as obras estão paradas há semanas, sem previsão de retomada.

De acordo com a comunidade, o projeto de asfaltamento da Vicinal 01 do Truarú foi anunciado como parte de um conjunto de melhorias nas estradas vicinais da região, mas somente a fase inicial foi concluída.
Desde então, a poeira tomou conta da via, trazendo problemas de saúde e dificuldades de locomoção para os moradores.

Poeira causa problemas de saúde em crianças e moradores

O maior impacto da paralisação das obras é sentido pelos alunos da Escola Municipal Aureliano Soares da Silva, que precisam percorrer diariamente o trecho ainda sem pavimentação.

Com o trânsito intenso de motos, carros e caminhões, nuvens de poeira se formam constantemente, afetando principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

Moradores relatam casos de crises de rinite, asma e irritações nos olhos, além da dificuldade de manter as casas limpas.

Promessa de asfalto ainda não cumprida

Segundo a comunidade, o governo estadual e os órgãos responsáveis anunciaram o asfaltamento da Vicinal 01 no início de 2025, como parte do programa de infraestrutura rural que contemplaria diversas estradas do Truarú e Murupu.
O contrato, de acordo com informações obtidas por moradores, previa a pavimentação completa do trecho, com drenagem, meio-fio e sinalização.

No entanto, apenas o nivelamento e a terraplenagem foram realizados até o momento.
Desde então, nenhuma máquina retornou ao local, e não há placas de obra atualizadas indicando prazo ou valor investido.

A ausência de informações oficiais tem gerado revolta e sensação de abandono entre os moradores da região.

Estradas vicinais: gargalo histórico no interior de Roraima

O problema da falta de pavimentação nas vicinais é recorrente em todo o interior de Roraima.
Essas estradas são essenciais para o escoamento da produção agrícola e o transporte escolar, mas sofrem com abandono e manutenção precária, especialmente no período de estiagem, quando a poeira domina, e nas chuvas, quando surgem atoleiros e buracos.

A Vicinal 01 do Truarú é uma das mais movimentadas da região, ligando comunidades agrícolas e sítios familiares à BR-174 e à sede de Boa Vista.

Sem o asfalto prometido, produtores relatam prejuízos no transporte de frutas, mandioca e hortaliças, além do aumento no custo do frete e desgaste de veículos.

Comunidade cobra respostas do governo

Os moradores pedem que o governo de Roraima, a Secretaria de Infraestrutura (Seinf) e demais órgãos envolvidos se manifestem sobre o andamento das obras.

Eles também solicitam uma fiscalização do contrato e o cumprimento integral da promessa feita à população.

Enquanto o asfalto não chega, a comunidade tenta amenizar os impactos. Alguns moradores jogam água na estrada com baldes e caminhões-pipa improvisados, mas a solução é temporária e ineficiente.

Impacto social e econômico da falta de asfalto

A paralisação do asfalto da Vicinal 01 do Truarú não afeta apenas o tráfego local, ela compromete toda uma cadeia produtiva rural.

Sem infraestrutura adequada, os produtores enfrentam dificuldades para escoar alimentos até as feiras de Boa Vista, o que reduz a renda das famílias e encarece os produtos agrícolas.

Além disso, a poeira constante tem gerado custos adicionais com medicamentos e aumento das faltas escolares.
Professores e pais relatam que as crianças chegam à escola com tosse e olhos irritados, especialmente nos dias de vento forte.

Obras em outras vicinais avançam, mas Truarú segue parado

Enquanto a Vicinal 01 permanece sem pavimentação, outras estradas rurais da capital estão recebendo obras.
Moradores citam o avanço nas vicinais do Passarão, Murupu e Monte Cristo, onde os serviços foram retomados recentemente.

A diferença de ritmo reforça a sensação de descaso por parte do poder público com a comunidade do Truarú, que há anos aguarda melhorias prometidas em campanhas eleitorais e programas de governo.

Enquanto aguardam um posicionamento oficial, os moradores seguem cobrando transparência, prazos e compromisso.

Eles esperam que o asfalto da Vicinal 01 do Truarú saia do papel ainda este ano, para que a população possa viver com dignidade e segurança.

Quem é responsável pelas obras de asfaltamento?

O asfaltamento das vicinais de Boa Vista é de responsabilidade do Governo de Roraima, por meio da Secretaria de Infraestrutura (Seinf).
A empresa COEMA foi contratada para executar as obras na Vicinal 01, incluindo terraplenagem, drenagem e pavimentação asfáltica.
Até o momento, apenas a primeira etapa foi concluída.

O que é terraplenagem e por que ela não é suficiente?

A terraplenagem é o processo de nivelar o terreno e preparar o solo para receber o asfalto.
Embora melhore temporariamente o tráfego, ela não resolve o problema da poeira ou da lama.
Sem a pavimentação asfáltica e drenagem adequada, a estrada deteriora rapidamente, exigindo manutenção constante.

Existe prazo legal para conclusão da obra?

Sim. Toda obra pública deve possuir um contrato com cronograma de execução e fiscalização técnica.
Se houver paralisação sem justificativa, o governo pode aplicar multas e rescindir o contrato com a empresa.
A população tem direito de cobrar informações oficiais junto à Controladoria-Geral do Estado (CGE) e ao Portal da Transparência.

O que os moradores podem fazer?

Os moradores podem:

Formalizar uma denúncia ao Ministério Público do Estado (MPRR);

Acionar o Procon e a Ouvidoria da Seinf pedindo esclarecimentos;

Criar associações comunitárias para pressionar coletivamente por respostas;

Solicitar a instalação de placas de obra com valores e prazos atualizados, conforme exige a legislação.

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Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
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