Empresário preso por garimpo ilegal é condenado por liderar esquema na Terra Yanomami

Raniely Carvalho
6 min Read
Foto: Reprodução/Instagram

A Justiça Federal condenou o empresário Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, por liderar um grupo criminoso envolvido em garimpo ilegal e degradação ambiental dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (29) e é assinada pelo juiz federal Victor Oliveira de Queiroz, da Justiça Federal4ª Vara Federal Criminal de Boa Vista.

Além de Rodrigo Cataratas, também foram condenados o filho dele, Celso Rodrigo de Mello, a irmã Brunna Martins de Mello e Leonardo Kassio Arno, apontado como integrante do grupo criminoso. A sentença é de primeira instância e ainda cabe recurso.

Empresário preso por garimpo ilegal: como funcionava o esquema criminoso

Segundo a sentença, o empresário preso por garimpo ilegal comandava uma estrutura organizada para explorar ouro e cassiterita dentro da Terra Yanomami, área protegida constitucionalmente. A investigação demonstrou a atuação contínua do grupo em atividades como:

  • Extração ilegal de minérios
  • Transporte clandestino de cassiterita
  • Uso de aeronaves para logística do garimpo
  • Lavagem de dinheiro
  • Ocultação e destruição de provas

De acordo com o juiz, Rodrigo Cataratas exercia papel central de liderança, sendo responsável por coordenar pagamentos, logística aérea, contatos com pilotos e distribuição de tarefas entre os membros do grupo.

Liderança criminosa e condenação do empresário preso por garimpo ilegal

Na decisão, o magistrado destacou que o empresário preso por garimpo ilegal não apenas participava da atividade criminosa, mas comandava todo o esquema, tomando decisões estratégicas e direcionando as ações dos demais réus.

“Restou demonstrado que o réu Rodrigo Martins de Mello comandava todo o esquema criminoso, controlando e direcionando a atuação dos demais réus”, afirmou o juiz Victor Oliveira de Queiroz.

A Justiça também considerou agravante o fato de Rodrigo Cataratas ter destruído provas ao longo da investigação, o que contribuiu para o aumento da pena.

Penas aplicadas aos condenados no caso do empresário preso por garimpo ilegal

Rodrigo Martins de Mello (Rodrigo Cataratas)

Apontado como líder do grupo criminoso, o empresário preso por garimpo ilegal foi condenado a:

  • 16 anos e 7 meses de prisão, em regime inicialmente fechado
  • Indenização de R$ 31.724.287,25 por danos à coletividade

A pena mais severa foi aplicada devido à posição de comando, reincidência estrutural da conduta e impacto ambiental causado na Terra Yanomami.

Celso Rodrigo de Mello (filho)

Celso atuava como o “braço direito” do pai, sendo responsável por:

  • Gestão de pagamentos
  • Contato com pilotos envolvidos no esquema
  • Apoio logístico às operações ilegais

Ele foi condenado a:

  • 8 anos e 8 meses de prisão, em regime inicialmente fechado

Os crimes reconhecidos incluem:

  • Usurpação de bens da União
  • Extração ilegal de recursos minerais
  • Organização criminosa
  • Lavagem de dinheiro

Brunna Martins de Mello (irmã)

Segundo a sentença, Brunna era responsável pela parte financeira da organização, realizando:

  • Saques bancários
  • Movimentações financeiras suspeitas
  • Apoio ao transporte de cassiterita

Ela foi condenada a:

  • 8 anos e 8 meses de prisão, em regime inicialmente fechado
  • Indenização de R$ 248.006,80 por danos à coletividade

Leonardo Kassio Arno

Leonardo foi condenado por integrar o grupo criminoso, atuando de forma direta nas atividades ligadas ao garimpo ilegal dentro da Terra Yanomami.

Defesa contesta condenação do empresário preso por garimpo ilegal

Em nota enviada à imprensa, a defesa dos quatro condenados afirmou que a decisão estaria “completamente destoada da realidade dos fatos”. Segundo os advogados, a sentença teria ignorado documentos apresentados, como:

  • Notas fiscais de venda de minérios
  • Declarações de imposto de renda
  • Licenças ambientais
  • Autorizações da AMN

A defesa sustenta que as atividades seriam lícitas e afirma que irá recorrer da decisão.

Impacto ambiental e social do garimpo ilegal na Terra Yanomami

A sentença destaca que as ações do empresário preso por garimpo ilegal causaram grave degradação ambiental, afetando diretamente rios, florestas e comunidades indígenas da Terra Yanomami.

A exploração ilegal de minérios nessa região é associada a:

  • Contaminação por mercúrio
  • Destruição de áreas de preservação
  • Aumento de conflitos e riscos à saúde indígena

O juiz reforçou que os crimes ultrapassam o âmbito econômico, atingindo direitos coletivos e constitucionais.

O que acontece agora após a condenação

Com a condenação em primeira instância, os réus ainda podem recorrer ao Tribunal Regional Federal. Até decisão definitiva, a execução das penas dependerá de eventuais recursos e medidas judiciais cabíveis.

O caso é considerado um dos mais relevantes julgamentos recentes envolvendo garimpo ilegal em Roraima, especialmente por atingir diretamente a Terra Yanomami e envolver valores milionários em indenizações ambientais.

Onde ocorria o garimpo ilegal?

O esquema criminoso atuava dentro da Terra Indígena Yanomami, área federal protegida por lei e de uso exclusivo dos povos indígenas.

O empresário pode recorrer da condenação?

Sim. A decisão é de primeira instância, e a defesa informou que pretende recorrer. O processo ainda pode ser analisado por instâncias superiores.

Por que a indenização é milionária?

O valor foi fixado devido:

À grande degradação ambiental

Ao impacto direto sobre comunidades indígenas

À exploração ilegal de área protegida

Ao lucro obtido com a atividade criminosa

Qual o impacto do garimpo ilegal na Terra Yanomami?

O garimpo ilegal causa:

Contaminação de rios por mercúrio

Destruição da floresta

Doenças em comunidades indígenas

Violência e exploração na região

Por que essa condenação é considerada importante?

Porque atinge lideranças do garimpo ilegal, reforça o combate a crimes ambientais e estabelece punições severas para quem explora ilegalmente terras indígenas.

Compartilhe Este Artigo
Follow:
Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
0:00
0:00