Suzane Richthofen é nomeada gestora da herança de R$ 5 milhões do tio morto

Raniely Carvalho
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A Justiça de São Paulo nomeou Suzane Richthofen como inventariante do espólio do médico Miguel Abdalla Netto, encontrado morto em janeiro na residência onde vivia, no bairro Campo Belo, zona sul da capital paulista. A decisão afirma que o histórico criminal de Suzane não interfere no processo de inventário.

O patrimônio deixado pelo médico, estimado em cerca de R$ 5 milhões, inclui dois imóveis e um veículo. Solteiro, sem filhos e sem testamento, Miguel teve a sucessão aberta conforme as regras legais aplicáveis aos herdeiros colaterais.

Suzane Richthofen é nomeada gestora da herança após disputa judicial

A nomeação ocorreu no âmbito da 1ª Vara da Família e Sucessões. A juíza Vanessa Vaitekunas Zapater entendeu que Suzane era a única pessoa apta a exercer o encargo, diante da ausência de manifestação válida de outro herdeiro no prazo processual.

Na decisão, a magistrada registrou que “o histórico criminal da herdeira não tem relevância jurídica nestes autos”, ao tratar da administração provisória dos bens até a partilha.

Disputava o cargo a empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima do médico, que alegava vínculo estável com Miguel. A defesa informou que pretende recorrer.

Inventariante administra bens sob supervisão judicial

Ser inventariante significa administrar e preservar o patrimônio durante o inventário. A função não confere, por si, a condição de herdeira. Como inventariante, Suzane deverá gerir imóveis, contas e o veículo, prestar contas ao Judiciário e manter os bens sem alienação ou uso pessoal até decisão final.

A lei de sucessão indica que os sobrinhos vivos são chamados à herança. No caso, além de Suzane, figura o irmão Andreas von Richthofen.

Histórico familiar e antecedentes do caso

Miguel Abdalla Netto era irmão de Marísia von Richthofen, assassinada em 2002 junto ao marido Manfred von Richthofen. Pelo crime, Suzane foi condenada ao lado de Daniel Cravinhos e Cristian Cravinhos.

Em 2015, a Justiça declarou Suzane indigna para receber a herança dos pais, destinando os bens ao irmão Andreas. O médico Miguel chegou a atuar como tutor de Andreas, vínculo que se rompeu anos depois.

Apurações paralelas e investigações em curso

A morte de Miguel segue sob apuração. Peritos avaliam hipótese de infarto, sem conclusão definitiva até o momento. Há investigação sobre eventual retirada de bens da residência sem autorização judicial, após registro feito por Carmem Magnani. A Polícia Civil apura os fatos.

Também tramita na Câmara dos Deputados um projeto que altera o Código Civil para impedir herdeiros condenados por crimes dolosos contra parentes até o terceiro grau de receber herança. Se aprovado, o texto pode impactar o caso.

Situação atual dos envolvidos

Suzane deixou o sistema prisional em 2023, adotou o nome Suzane Louise Magnani Muniz após casamento com Felipe Zecchini Muniz, reside no interior paulista e atua com vendas online. Daniel Cravinhos deixou a prisão em 2018 e trabalha com customização de motos. Cristian Cravinhos saiu em 2025.

O que decidiu a Justiça?

Nomeou Suzane como inventariante do espólio do tio, para administrar os bens até a partilha.

Isso a torna herdeira automaticamente?

Não. A função é administrativa e ocorre sob supervisão judicial.

Qual o valor do patrimônio?

Cerca de R$ 5 milhões, com imóveis e um veículo.

Há recurso contra a decisão?

A defesa de Carmem Magnani informou que irá recorrer.

A morte do médico está esclarecida?

Ainda não. O caso segue em apuração.

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Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
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