Um homem de 49 anos foi indiciado pela Polícia Civil suspeito de atuar como falso advogado em Boa Vista e aplicar golpes contra pelo menos nove pessoas. Segundo a investigação, ele oferecia serviços jurídicos, prometia resolver processos e conseguir indenizações e benefícios, embora não tivesse inscrição válida na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O prejuízo total identificado pela polícia é estimado em aproximadamente R$ 19 mil.
O investigado, cuja identidade não foi divulgada, teria recebido dinheiro antecipadamente das vítimas sob a justificativa de pagamento de honorários, custas e outras supostas despesas processuais.
Depois de receber os valores, segundo a Polícia Civil, ele não realizava os serviços prometidos.
A investigação foi concluída pelo 2º Distrito Policial e divulgada nesta segunda-feira (17).
Como funcionava o golpe do falso advogado em Boa Vista
De acordo com a Polícia Civil, havia um padrão na atuação do investigado.
Ele se apresentava como advogado e oferecia soluções para problemas judiciais enfrentados pelas vítimas.
Entre as promessas estavam:
- resolver ações judiciais;
- conseguir indenizações;
- liberar benefícios financeiros;
- acompanhar processos;
- realizar procedimentos que supostamente exigiam pagamentos antecipados.
A credibilidade transmitida pela falsa condição profissional fazia com que as vítimas acreditassem estar contratando um advogado habilitado.
Dinheiro era cobrado antes do suposto serviço
Os pagamentos eram solicitados antecipadamente como honorários ou despesas necessárias para andamento dos processos.
A investigação encontrou comprovantes de transferências realizadas por Pix, além de relatos de pagamentos feitos em dinheiro.
Depois de receber os valores, conforme a polícia, o investigado deixava de cumprir o combinado, dificultava o contato ou apresentava justificativas para os atrasos.
Vítima procurou falso advogado após morte do filho
Um dos casos que mais chama atenção envolve uma mulher de 51 anos.
Ela relatou à polícia que buscava auxílio jurídico relacionado à morte do próprio filho em um acidente de trânsito.
A mulher acreditou que o investigado fosse advogado e entregou mais de R$ 3 mil entre supostos honorários e despesas processuais.
Vítima chegou a indicar suspeito para outras pessoas
A confiança era tamanha que a mulher chegou a recomendar o suposto profissional a familiares e conhecidos.
O companheiro dela, de 44 anos, também contratou os serviços.
Segundo a Polícia Civil, ele entregou aproximadamente R$ 6 mil ao investigado.
O homem teria recebido ainda um documento que aparentava comprovar os valores envolvidos e foi orientado a comparecer ao Banco do Brasil para sacar uma quantia à qual supostamente teria direito.
A análise policial constatou, porém, que o documento correspondia a outra situação.
Investigação identificou nove vítimas
Os primeiros episódios investigados remontam a abril de 2025.
Uma mulher de 65 anos teria perdido R$ 500.
Outros casos começaram a aparecer posteriormente, levando a Polícia Civil a perceber que as denúncias poderiam estar relacionadas.
Segundo o delegado Vinicius do Vale Oliveira, responsável pela investigação, a repetição da forma de atuação foi essencial para identificar uma possível sequência de fraudes praticadas pela mesma pessoa.
Entre os valores apontados individualmente pela investigação aparecem prejuízos de aproximadamente R$ 500, R$ 550, R$ 900, R$ 2 mil, R$ 3 mil, R$ 5 mil e R$ 6 mil.
Ao final das diligências, nove vítimas haviam sido identificadas.
OAB confirmou que homem não tinha inscrição válida
Um ponto decisivo da investigação ocorreu quando a polícia consultou a Ordem dos Advogados do Brasil.
Segundo a Polícia Civil, foi constatado que o investigado não possuía inscrição válida na OAB.
Número de outro advogado teria sido utilizado
A investigação apontou ainda que ele teria usado indevidamente o número de registro pertencente a outro advogado.
Essa informação reforçou para os investigadores a suspeita de que a identidade profissional era utilizada para conquistar a confiança das vítimas.
O delegado destacou que a falsa apresentação como advogado dava credibilidade às promessas feitas pelo investigado.
Polícia diz que vítimas estavam vulneráveis
Segundo o responsável pela investigação, as pessoas procuravam ajuda para resolver questões importantes da própria vida.
Algumas enfrentavam situações de vulnerabilidade emocional ou financeira.
A expectativa de conseguir uma indenização, benefício ou solução para um processo fazia com que acreditassem que estavam diante de um profissional habilitado.
Essa relação de confiança é um dos elementos centrais investigados no caso do falso advogado em Boa Vista.
Polícia pediu prisão, mas Justiça negou
Diante das informações reunidas, o delegado solicitou a prisão preventiva do investigado em 10 de junho de 2026.
A Polícia Civil também pediu o bloqueio das contas bancárias dele.
Contas bancárias foram bloqueadas
A Justiça não deferiu o pedido de prisão preventiva.
Por outro lado, autorizou o bloqueio das contas bancárias do investigado, medida que, segundo a polícia, busca preservar recursos para um possível ressarcimento das vítimas.
O fato de a prisão ter sido negada não significa absolvição. O inquérito foi concluído e encaminhado para análise do Ministério Público.
Homem foi indiciado por nove crimes de estelionato
Ao término da investigação, o homem foi indiciado por nove crimes de estelionato, além da contravenção penal de exercício ilegal da profissão.
O procedimento foi enviado ao Ministério Público de Roraima.
Caberá agora ao órgão analisar os elementos reunidos pela Polícia Civil e decidir quais medidas jurídicas deverão ser adotadas.
É importante destacar que indiciamento não equivale a condenação. A responsabilização criminal definitiva depende do devido processo legal e de decisão da Justiça.
Como saber se uma pessoa realmente é advogada
O caso também serve de alerta para quem precisa contratar serviços jurídicos.
A inscrição profissional pode ser consultada no Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) mantido pela Ordem dos Advogados do Brasil
Antes de entregar documentos ou realizar pagamentos, é recomendável conferir se o nome informado corresponde ao número da OAB apresentado pelo profissional.
Também é prudente solicitar contrato de prestação de serviços e comprovantes dos pagamentos realizados.
Desconfie especialmente quando alguém promete resultado garantido em uma ação judicial ou exige sucessivos pagamentos sem explicar claramente a finalidade dos valores.
Caso do falso advogado em Boa Vista segue para o Ministério Público
A investigação sobre o falso advogado em Boa Vista terminou com nove casos de estelionato atribuídos ao homem e um prejuízo estimado em cerca de R$ 19 mil.
Para a Polícia Civil, o investigado se valia da aparência de legitimidade profissional para conquistar a confiança de pessoas que procuravam soluções para problemas judiciais importantes.
Com o inquérito concluído, o material foi encaminhado ao Ministério Público de Roraima, que deverá analisar as provas e definir os próximos passos do caso.
