Um jovem foi assassinado a tiros na noite desta terça-feira (29), no bairro Senador Hélio Campos, zona Oeste de Boa Vista. O crime chocou moradores da região, conhecida por seu intenso movimento durante o dia e pela presença de comércios e residências próximas. Segundo informações iniciais da Polícia Militar, a vítima foi surpreendida por dois homens em uma motocicleta, que se aproximaram e efetuaram pelo menos dois disparos à queima-roupa antes de fugirem.
Assassinato no bairro Senador Hélio Campos: como o crime aconteceu
De acordo com relatos colhidos no local, o jovem estava caminhando por uma das ruas principais do bairro, nas proximidades de uma mercearia, quando foi alvo da dupla armada.
Moradores disseram ter ouvido dois estampidos e, em seguida, viram o rapaz cair no chão, gravemente ferido.
As primeiras equipes da Polícia Militar de Roraima (PMRR) chegaram minutos após o crime, isolaram a área e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O jovem, ainda com sinais vitais, foi levado ao Hospital Geral de Roraima (HGR), onde não resistiu aos ferimentos e morreu durante o atendimento médico.
Testemunhas contaram que, ao chegar no bairro Senador Hélio Campos, os criminosos usavam capacetes e roupas escuras, o que dificultou o reconhecimento. Após os disparos, eles fugiram em alta velocidade, tomando rumo ignorado.
Investigação e buscas pelos autores
A Delegacia Geral de Homicídios (DGH) assumiu as investigações e iniciou a coleta de imagens de câmeras de segurança da região para tentar identificar a motocicleta e os autores.
Peritos do Instituto de Criminalística (IC) também estiveram no local, onde recolheram estojos de munição e vestígios de sangue, que serão encaminhados para análise balística.
O corpo da vítima foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exame de necropsia para confirmar o número de disparos e o calibre da arma utilizada.
Segundo informações preliminares, o jovem teria sido atingido no tórax e no pescoço, ferimentos considerados fatais.
A motivação do crime no bairro Senador Hélio Campos ainda é desconhecida. Investigadores não descartam nenhuma linha de apuração, incluindo execução, acerto de contas ou crime passional, até que surjam provas concretas.
“Estamos analisando as imagens e colhendo depoimentos de moradores e familiares. É cedo para afirmar qualquer coisa, mas trata-se de um crime direcionado, pela forma como foi executado”, informou um policial da DGH sob condição de anonimato.
Clima de medo na comunidade
Após o homicídio, moradores do Senador Hélio Campos relataram medo e insegurança, já que casos de violência têm sido registrados com frequência no bairro.
Alguns estabelecimentos fecharam mais cedo e o movimento nas ruas desapareceu logo após o crime.
“A gente vive com medo. Toda semana tem tiro, tem assalto. Agora, matar alguém assim, no meio da rua, mostra que ninguém está seguro”, desabafou uma comerciante local.
Contexto da violência na zona Oeste
A zona Oeste de Boa Vista, onde fica o bairro Senador Hélio Campos, concentra um dos maiores índices de ocorrências policiais da capital, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (Sesp-RR).
Nos últimos meses, o bairro tem sido palco de assaltos, tentativas de homicídio e tráfico de drogas, com diversas operações policiais realizadas para conter a criminalidade.
A DGH informou que vai reforçar o patrulhamento na região e que a cooperação da população, por meio de denúncias anônimas, é fundamental para encontrar os responsáveis.
As denúncias podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 181, com garantia de sigilo.
Próximos passos da investigação
Nas próximas horas, os investigadores devem:
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Ouvir familiares e amigos da vítima no bairro Senador Hélio Campos para entender se havia ameaças ou desentendimentos recentes;
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Analisar imagens de câmeras de segurança de comércios próximos;
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Solicitar relatórios de telefonia que possam indicar movimentações suspeitas antes do crime;
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Realizar exame de balística nos estojos coletados, cruzando com registros de armas usadas em outros homicídios recentes.
A DGH também deve verificar se há ligação entre este homicídio e outros casos semelhantes ocorridos na mesma região do bairro Senador Hélio Campos, o que pode indicar atuação de grupos criminosos locais.
Enquanto a Polícia Civil busca esclarecer autoria e motivação, moradores pedem mais segurança, iluminação pública e rondas constantes para evitar novos casos.
A Delegacia Geral de Homicídios segue com as investigações e pede que qualquer informação sobre o paradeiro dos suspeitos seja comunicada de forma anônima pelo Disque 181.
O que é a DGH e qual o papel dela em casos como este?
A Delegacia Geral de Homicídios (DGH) é o setor especializado da Polícia Civil responsável por investigar assassinatos e tentativas de homicídio.
Ela realiza coleta de provas, depoimentos, perícias, rastreamento de suspeitos e cruzamento de informações com outras unidades.
Nos casos de execução em via pública, como este, a DGH atua em conjunto com o Instituto de Criminalística e o IML para formar um dossiê técnico que servirá de base para a denúncia do Ministério Público.
Como a perícia identifica o calibre e a arma usada no crime?
Os peritos criminais coletam projéteis e estojos de munição encontrados na cena e os analisam em laboratório.
Cada arma de fogo deixa marcas únicas — conhecidas como impressões balísticas que podem ser comparadas com um banco de dados nacional.
Assim, é possível determinar o tipo de arma (pistola, revólver, etc.) e, em alguns casos, vincular o mesmo armamento a outros crimes anteriores.
Por que a motivação é tão importante nas investigações de homicídio?
Determinar a motivação do crime (vingança, dívida, ciúme, disputa territorial, etc.) ajuda os investigadores a identificar a rede de relações da vítima e a direcionar as buscas.
Sem essa definição inicial, o caso pode levar mais tempo para ser solucionado, já que múltiplas hipóteses precisam ser verificadas até que uma delas se confirme com provas concretas.
