A comunidade da Vila Trairão Amajari vive uma das situações mais graves de saúde pública e abandono animal já registradas na região. Moradores relatam que mais de 15 cães têm sido descartados por dia nas proximidades da ponte que dá acesso à vila, muitos deles ainda vivos, feridos ou agonizando.
A quantidade de animais deixados no local tem produzido um forte cheiro de carniça que se espalha por toda a comunidade, afetando o bem-estar de moradores, trabalhadores e crianças que circulam pelas ruas diariamente.
Segundo os relatos enviados ao Portal Raniely Carvalho, a realidade é tão chocante que se tornou impossível ignorar.
A moradora responsável pela denúncia afirma que a situação piorou de forma acelerada nas últimas semanas, coincidindo com surtos de doença do carrapato, cinomose e parvovirose, doenças graves e altamente contagiosas que se espalham de forma veloz entre cães e que podem trazer riscos indiretos à saúde da população humana.
Riscos Sanitários e de Saúde Pública na Vila Trairão
As ruas da Vila Trairão Amajari estariam tomadas por animais doentes, mutilados, debilitados ou cegos em razão das infecções. Muitos são vistos caídos, desorientados ou sofrendo convulsões. Outros aparecem com ferimentos graves, aparentemente vítimas de maus-tratos, atropelamentos ou abandono cruel o que agrava ainda mais o cenário.
A moradora relata que a infestação de carrapatos atingiu níveis jamais vistos. Segundo ela, os quintais da comunidade estão completamente tomados por parasitas, que se espalham entre os imóveis e criam riscos reais para cães saudáveis, animais de criação e até mesmo para crianças.
Os moradores afirmam que não recebem ações de controle ou campanhas de vacinação e castração há meses, e que projetos que existiam na comunidade vizinha Vila Brasil estão parados, deixando a população sem alternativas.
Muitas famílias, segundo o relato, não têm condições financeiras para arcar com os custos de tratamento veterinário, que podem ser altos, principalmente em casos de doenças graves como cinomose e parvovirose. Isso faz com que muitos animais fiquem sem assistência, contribuindo para o avanço do surto.
“Meus animais morreram todos. Não sobrou nenhum. E aqui na rua é só cachorro agonizando. A vila inteira está contaminada”, desabafa a moradora.
O abandono de cães vivos no mato, próximo à ponte, é descrito como rotina.
Vizinhos relatam ter visto animais sendo jogados de carros, motocicletas ou simplesmente deixados para morrer. Alguns são encontrados com fraturas, feridas abertas e sinais de crueldade. O odor forte de decomposição pode ser sentido a dezenas de metros de distância.
Muitas casas precisam manter portas e janelas fechadas, mesmo com o calor intenso, para tentar evitar o cheiro.
Além dos danos emocionais e do sofrimento animal, a situação traz riscos graves à saúde humana. Doenças transmitidas por carrapatos, como a erliquiose, podem infectar pessoas em casos específicos; além disso, a proliferação de vetores cria ambientes propícios para bactérias e parasitas que podem causar infecções em crianças e adultos.
O contato com fezes, carcaças, moscas e fluidos pode representar perigo às famílias da Vila Trairão
Moradores afirmam ter buscado apoio municipal, mas dizem que não receberam retorno da Prefeitura nem da Secretaria de Meio Ambiente. A comunidade questiona a falta de ações de controle populacional, recolhimento de animais mortos, limpeza urbana, vacinação e castração, medidas básicas para conter surtos como este.
Eles destacam que pagam impostos e têm direito a políticas públicas que garantam um ambiente minimamente seguro e saudável.
Enquanto isso, os moradores vivem com medo de que o surto cresça ainda mais. Eles temem um colapso sanitário, a disseminação de doenças e novos casos de abandono.
Sem uma intervenção emergencial, a situação tende a piorar rapidamente, colocando em risco não apenas os animais, mas toda a população humana da Vila Trairão.
O que caracteriza crime de abandono ou maus-tratos contra animais?
Abandonar, ferir, mutilar ou deixar de prestar assistência a um animal caracteriza crime previsto no art. 32 da Lei de Crimes Ambientais. A pena pode chegar a 5 anos de detenção, além de multa.
Por que surtos de cinomose, parvovirose e doença do carrapato são tão perigosos?
Essas doenças são altamente contagiosas e, sem vacinação, podem se espalhar rapidamente. Além de matar cães, também favorecem a proliferação de vetores e microrganismos que afetam o ambiente humano.
De quem é a responsabilidade pelo controle populacional de animais e ações sanitárias?
Legalmente, municípios são responsáveis pelo controle de zoonoses, vacinação antirrábica, castrações públicas, recolhimento de animais mortos e saneamento urbano. Em casos extremos, podem atuar em parceria com o Estado.
O mau cheiro e a presença de carcaças podem afetar a saúde humana?
Sim. A decomposição atrai moscas, bactérias e outros vetores que podem causar infecções, dermatites e problemas respiratórios, especialmente em crianças e idosos.
O que a comunidade pode fazer enquanto aguarda apoio do poder público?
Organizar mutirões de limpeza, denunciar abandonos, isolar animais doentes, evitar contato com carcaças e buscar orientação veterinária voluntária. Contudo, apenas ações governamentais podem resolver o problema de forma ampla.
