A influenciadora e social media Agatta Sena voltou às redes sociais para denunciar o ex-namorado, Igor da Silva, por produzir imagens falsas usando inteligência artificial e divulgá-las em sites de conteúdo adulto.
Segundo a jovem, esta é a segunda vez que ela registra boletim de ocorrência contra o suspeito pelo mesmo tipo de violência digital.
Agatta afirma já ter reunido todas as provas de que o material é fruto de manipulação digital, incluindo metadados, arquivos, links e prints que comprovam a adulteração.
“Eu não aguento mais. Tenho todas as evidências de que essas fotos foram feitas com inteligência artificial. Quero justiça”, desabafou.
Como Agatta Sena descobriu as imagens falsas e como funcionam essas montagens com IA
A influenciadora Agatta Sena relatou que começou a receber mensagens anônimas alertando sobre imagens íntimas supostamente dela circulando em sites adultos.
Assustada, ela acessou os links enviados e encontrou montagens hiper-realistas, feitas por IA, usando seu rosto colado sobre corpos de outras mulheres.
Esse tipo de montagem é conhecido como deepfake pornográfico, uma das formas mais agressivas de violência digital, pois utiliza:
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algoritmos de inteligência artificial;
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substituição facial (face swap);
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renderização realista;
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técnicas de machine learning para simular expressões humanas.
A maior gravidade se dá porque o conteúdo parece real, mesmo não sendo. Isso prejudica a dignidade, a reputação e a saúde mental da vítima de forma quase irreversível.
Deepfake pornográfico: um crime crescente e ainda difícil de combater
O caso de Agatta Sena chama atenção porque o Brasil vive um aumento explosivo de crimes digitais relacionados a deepfake.
Ferramentas gratuitas permitem, em poucos cliques, produzir conteúdo:
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altamente realista;
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praticamente impossível de diferenciar do real;
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capaz de viralizar antes mesmo de ser denunciado.
Especialistas explicam que, no caso de conteúdos íntimos falsos:
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O dano ocorre mesmo se a imagem não for real, pois o objetivo é humilhar e expor.
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O impacto psicológico pode envolver depressão, ansiedade, pânico e isolamento social.
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A remoção do conteúdo da internet é difícil, porque novos perfis reaparecem com reuploads.
O que diz a lei brasileira sobre deepfake pornográfico, mesmo sem legislação específica
Embora o Brasil ainda não tenha uma lei exclusiva para deepfakes íntimos, diversos mecanismos jurídicos já garantem punição ao agressor.
Injúria, difamação e calúnia (Código Penal)
Quando o conteúdo é usado para humilhar, ferir a honra e espalhar mentiras, podem ser aplicados:
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injúria (art. 140);
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difamação (art. 139);
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calúnia (art. 138).
Crimes sexuais digitais (Lei 13.718/2018)
Essa lei inclui punição para:
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divulgação de conteúdo íntimo sem consentimento;
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exposição humilhante com viés sexual;
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pornografia de vingança (sextorsão).
Mesmo sendo deepfake, o entendimento jurídico atual é:
divulgar conteúdo sexual de alguém real ou falso, sem autorização é crime.
A pena pode chegar a 5 anos de prisão, agravada quando a vítima é mulher.
Lei Carolina Dieckmann: uso de dispositivos eletrônicos para cometer crimes digitais
A Lei Carolina Dieckmann (Lei 12.737/2012) é frequentemente usada em casos de crimes digitais.
Ela pune quem:
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invade dispositivos;
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altera arquivos;
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dissemina conteúdo obtido ou manipulado digitalmente.
Mesmo sem invasão direta, a manipulação e divulgação indevida de conteúdo podem ser enquadradas como delito de adulteração de dados para prejudicar a vítima.
Marco Civil da Internet e o direito de remoção imediata do conteúdo
O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) assegura à vítima o direito de exigir:
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remoção urgente do conteúdo;
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preservação de dados dos autores;
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identificação dos responsáveis;
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responsabilização civil de plataformas que não cumprirem a retirada após notificação.
Isso significa que Agatta Sena pode:
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enviar notificação formal aos sites;
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solicitar retirada imediata do material;
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responsabilizar plataformas que não cumprirem.
O papel da Lei de Violência Psicológica contra a mulher
A Lei 14.188/2021, que trata da violência psicológica contra a mulher, também se aplica ao caso, porque:
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expor a vítima com conteúdo falso;
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afetar sua autoestima;
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causar humilhação pública;
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produzir constrangimento social…
…são atos configurados como violência psicológica com pena ampliada.
Assim, o agressor pode responder simultaneamente por crimes digitais e por violência de gênero.
O que a Justiça pode determinar nesses casos
Com base nas leis já existentes, a Justiça pode:
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determinar a remoção urgente de todos os links;
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bloquear perfis usados para divulgar o material;
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autorizar busca e apreensão de dispositivos do agressor;
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solicitar perícia em computadores e celulares;
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aplicar medida protetiva à vítima;
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proibir o acusado de se aproximar ou manter contato;
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abrir investigação por crime sexual e violência digital.
Dependendo da gravidade, o caso, como da Agatta Sena, pode evoluir para perseguição digital (stalking), tipificada pela Lei 14.132/2021.
Quem é Agatta Sena?
É uma influenciadora e social media que denunciou o ex-namorado por criar e divulgar imagens falsas produzidas com IA.
As imagens eram reais?
Não. Segundo Agatta, são montagens com IA, conhecidas como deepfakes.
Isso é crime mesmo sendo falso?
Sim. A lei protege a pessoa mesmo quando o conteúdo íntimo for manipulado, pois o dano à honra e dignidade é real.
Qual a punição para quem cria deepfake pornográfico?
Dependendo do caso, pode chegar a 5 anos de prisão, além de indenizações por danos morais.
