A fila do INSS alcançou o maior volume já registrado no Brasil, acumulando 2,862 milhões de pedidos de aposentadorias, pensões e benefícios por incapacidade aguardando análise. O número representa um crescimento de 23% apenas em 2025, com uma média mensal de 1,3 milhão de novas solicitações, ritmo que supera a capacidade atual de processamento da autarquia.
Metade de toda a fila corresponde a pedidos de auxílio por incapacidade temporária, que continuam aguardando perícia da Perícia Médica Federal, hoje o maior gargalo da Previdência.
Outro ponto crítico é o BPC (Benefício de Prestação Continuada), que acumula 897 mil pedidos parados e um tempo médio de espera de 193 dias, após decisões judiciais suspenderem análises desde junho por falta de atualização do sistema de cálculo de renda.
Por que a fila do INSS atingiu o maior patamar da história?
Segundo o órgão, cerca de 68% dos pedidos não podem avançar porque dependem de outros setores do governo especialmente a Perícia Médica Federal e a Dataprev.
Entre os fatores que explicam o estouro da fila do INSS estão:
Aumento de 23% nos pedidos
Com mais de 1,3 milhão de novas solicitações por mês, o sistema não consegue acompanhar a crescente demanda.
Perícia médica atrasada
Cerca de 1 milhão de pedidos aguardam perícia.
A falta de médicos, somada à sobrecarga, impede que os processos avancem.
O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que novos concursos e a contratação de 500 peritos estão previstos para tentar reduzir esse gargalo.
BPC travado desde junho
Decisões judiciais exigiram mudanças no cálculo da renda familiar para concessão do benefício.
A Dataprev ainda não concluiu as atualizações necessárias.
Sem o sistema adaptado, o INSS fica legalmente impedido de analisar esses pedidos.
Casos como o de Danice mostram drama silencioso vivido por segurados
A fila virtual esconde dramas humanos.
A assistente administrativa Danice Matheus, que pediu aposentadoria por invalidez em 2020, ainda não recebeu resposta.
“É desgastante. Todo dia eu olho e está lá: em análise, em análise. Nunca muda nada. Já vão fazer cinco anos”, relatou.
INSS cria comitê de emergência para reduzir a fila
Diante do pior cenário já registrado, o INSS criou um comitê estratégico para monitorar e acelerar os 920 mil processos que dependem exclusivamente da autarquia.
O grupo deverá:
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analisar relatórios quinzenais;
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propor ajustes técnicos;
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redistribuir processos entre servidores de diferentes regiões;
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priorizar benefícios represados mais urgentes.
O prazo de atuação do comitê vai até 30 de junho de 2026.
Biometria obrigatória começa nesta sexta-feira para pedidos de aposentadoria
A partir desta sexta (21), a comprovação biométrica passa a ser obrigatória para quem solicitar aposentadoria.
Para os demais benefícios sociais — como pensão por morte, auxílio por incapacidade, BPC, seguro-desemprego e Bolsa Família — a biometria só será exigida a partir de maio de 2026.
A mudança exige atualização completa dos sistemas do INSS e Dataprev, o que também contribuiu para o represamento atual.
Fila do INSS: Panorama mês a mês em 2025
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Janeiro: 2,346 milhões
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Fevereiro: 2,529 milhões
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Março: 2,707 milhões
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Abril: 2,679 milhões
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Maio: 2,565 milhões
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Junho: 2,443 milhões
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Julho: 2,562 milhões
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Agosto: 2,627 milhões
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Setembro: 2,778 milhões
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Outubro: 2,862 milhões
O crescimento contínuo mostra que, sem mudanças estruturais, a fila do INSS pode superar 3 milhões em breve.
Por que a fila do INSS está tão grande?
Por causa de aumento de pedidos, falta de peritos, processos travados pela justiça e atrasos na atualização do sistema.
Quem será mais afetado pela biometria obrigatória?
Inicialmente, apenas quem solicitar aposentadoria. Outros benefícios passam a exigir biometria só em maio de 2026.
Por que o BPC está parado?
O sistema precisa ser atualizado para recalcular a renda familiar, conforme decisão judicial de junho.
O INSS está contratando mais servidores?
Sim. Há previsão para chamar 500 novos médicos peritos e reforçar setores críticos.
Quanto tempo demora, em média, um pedido hoje?
O INSS não divulga um prazo único, mas o BPC está levando 193 dias, e benefícios por incapacidade podem demorar ainda mais.
