A recente operação militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe contra rotas de narcotráfico reacendeu o alerta para o avanço do Tren de Aragua no Brasil, uma das facções mais violentas da América Latina. O grupo criminoso venezuelano expandiu suas atividades nos últimos anos e já possui presença consolidada em Roraima, especialmente em Boa Vista, Pacaraima e Mucajaí.
A facção, que nasceu dentro da Penitenciária de Tocorón, na Venezuela, espalhou-se pela região após a crise migratória e hoje atua em países como Colômbia, Chile, Peru, Equador e Estados Unidos.
Como a ofensiva dos EUA expõe o avanço do Tren de Aragua no Brasil
A operação norte-americana, anunciada pelo presidente Donald Trump, resultou na morte de 11 integrantes em um barco que atuava no tráfico internacional. Segundo o governo dos EUA, o grupo está ligado ao cartel Tren de Aragua (TDA), classificado como organização terrorista estrangeira.
Com maior pressão militar no Caribe, autoridades brasileiras temem que criminosos busquem novas rotas por terra o que aumenta o risco de intensificação das operações do Tren de Aragua no Brasil, especialmente pela fronteira de Roraima.
O que é o Tren de Aragua e como ele se organizou
O TDA surgiu entre 2013 e 2015, mas suas atividades são mais antigas, ligadas a sindicatos da construção civil de uma ferrovia que nunca foi concluída. Posteriormente, seus líderes assumiram o controle interno da prisão de Tocorón, que se tornou uma espécie de “quartel-general” criminoso, com piscina, restaurantes, armas pesadas e operação descentralizada.
A facção opera com:
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tráfico internacional de drogas
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exploração sexual e tráfico de pessoas
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sequestro e extorsão
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homicídios por encomenda
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controle territorial por cemitérios clandestinos
Essa estrutura organizada permitiu que o Tren de Aragua no Brasil rapidamente se articulasse com grupos locais, incluindo cooperações já identificadas com criminosos de Roraima.
Presença do Tren de Aragua no Brasil e ações em Roraima
A entrada massiva de migrantes venezuelanos nos últimos anos facilitou que integrantes da facção atravessassem a fronteira junto à população em deslocamento.
Em Roraima, a atuação envolve:
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cobranças ilegais a migrantes para atravessar a fronteira
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execuções por recusa de pagamento
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controle de áreas estratégicas em Boa Vista e Pacaraima
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extorsão de comerciantes venezuelanos
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exploração sexual
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tráfico de drogas
Um dos episódios mais chocantes ocorreu em janeiro, quando dez corpos foram encontrados em um cemitério clandestino ligado ao grupo.
Esse cenário reforça que a presença do Trem de Aragua no Brasil tem impacto direto no fluxo migratório e na sensação de segurança na região Norte.
A expansão do TDA pela América Latina e a conexão com o crime brasileiro
Diversos países relatam aumento da atuação do TDA:
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Colômbia: parceria com o ELN para tráfico sexual
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Chile e Peru: sequestros e extorsões em comunidades vulneráveis
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Bolívia e Equador: disputa armada com cartéis locais
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EUA: células associadas a sequestros e agressões
Segundo o Departamento do Tesouro americano, o grupo já estabeleceu vínculos com o PCC, o que preocupa especialistas em segurança pública.
Essa expansão facilita a retroalimentação das operações do Tren de Aragua no Brasil, que se aproveita de lacunas de fiscalização e rotas clandestinas pelo Norte.
Autoridades venezuelanas dizem ter desmantelado Tocorón, mas facção segue ativa
Mesmo após a megaoperação do governo Maduro que retomou o controle da prisão, especialistas afirmam que a estrutura criminal se descentralizou e migrou para outros países. Nos EUA, agentes federais confirmam a presença do grupo em estados como Flórida, Texas e Colorado.
O Tren de Aragua está ativo no Brasil?
Sim. Há atuação comprovada principalmente em Roraima, com investigações em andamento.
Como o grupo entra no país?
Principalmente pela fronteira terrestre entre Venezuela e Brasil, através de rotas irregulares.
Quais crimes o TDA comete no território brasileiro?
Extorsão, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, assassinatos e exploração sexual.
A ofensiva dos EUA pode aumentar o fluxo para o Brasil?
Especialistas afirmam que sim. O fechamento de rotas marítimas pode levar criminosos a buscar alternativas terrestres pelo Norte.
O Brasil tem ações específicas contra o TDA?
Sim. A Polícia Federal e forças estaduais intensificaram operações, especialmente em Roraima.
