Brasil elimina transmissão do HIV de mãe para filho e entra para a história da saúde pública mundial

Raniely Carvalho
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Brasil elimina transmissão do HIV de mãe para filho e alcança marca histórica. Agora o país é o primeiro país da América do Sul e o maior do mundo a eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho como problema de saúde pública. O reconhecimento internacional foi concedido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), após a comprovação de que o país cumpriu todos os critérios técnicos exigidos.

A certificação foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro da Saúde Alexandre Padilha, consolidando o Brasil como referência global na proteção da saúde materno-infantil e no enfrentamento ao HIV.

Reconhecimento da OMS confirma sucesso do SUS

Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de transmissão vertical do HIV caiu para níveis considerados irrelevantes do ponto de vista epidemiológico, ficando abaixo de 2%, enquanto a incidência da infecção em crianças foi reduzida para menos de 0,5 caso por mil nascidos vivos.

O resultado é atribuído a décadas de investimento no Sistema Único de Saúde (SUS), com ampliação da testagem em gestantes, início imediato do tratamento antirretroviral, acompanhamento pré-natal adequado e garantia de alimentação infantil segura quando necessário.

Brasil elimina transmissão do HIV de mãe para filho: lula destaca papel do SUS e do Estado

Ao receber o certificado, o presidente Lula ressaltou a importância do SUS como base dessa conquista histórica e reafirmou o papel do Estado na garantia do direito à saúde.

“Hoje, o SUS é motivo de orgulho para o Brasil e para o mundo. Somos o único país com mais de 100 milhões de habitantes a contar com um sistema de saúde público que se fortalece a cada dia, garantindo que pobres e ricos tenham o mesmo acesso ao tratamento”, afirmou Lula.

Quatro décadas de enfrentamento ao HIV

O ministro Alexandre Padilha destacou que o reconhecimento chega quatro décadas após os primeiros registros da aids no Brasil, representando o resultado de uma construção coletiva.

“O Brasil é o maior país do mundo a eliminar a transmissão vertical do HIV. O SUS garante acompanhamento integral às pessoas que vivem com o vírus e amplia continuamente o acesso a tratamentos mais simples, eficazes e seguros”, afirmou o ministro.

Critérios técnicos cumpridos para certificação

Para receber o reconhecimento da OMS, o Brasil precisou comprovar:

  • Taxa de transmissão vertical do HIV inferior a 2%
  • Incidência da infecção em crianças menor que 0,5 caso por mil nascidos vivos
  • Mais de 95% de cobertura no pré-natal
  • Testagem ampla para HIV em gestantes
  • Tratamento garantido para mulheres vivendo com HIV

O processo de certificação teve início em junho de 2025, com o envio de relatório técnico detalhado pelo Ministério da Saúde à OPAS/OMS.

Redução de mortes e avanços recentes

Entre 2023 e 2024, o Brasil registrou redução de 13% nos óbitos por aids, atingindo a menor taxa em três décadas. A queda está associada ao diagnóstico precoce, início rápido do tratamento e fortalecimento da prevenção combinada, como PrEP, PEP, testes rápidos e autotestes.

Compromisso com direitos humanos e Agenda 2030

Além do impacto sanitário, a certificação reforça o compromisso do Brasil com os direitos humanos, a equidade no acesso à saúde e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente no enfrentamento ao HIV/aids até 2030.

Segundo o diretor da OPAS/OMS, Jarbas Barbosa, o resultado é fruto do engajamento da sociedade civil, dos profissionais de saúde e da atuação integrada dos governos federal, estaduais e municipais.

O que significa eliminar a transmissão vertical do HIV?

Significa reduzir a transmissão do HIV da mãe para o bebê a níveis irrelevantes como problema de saúde pública.

O Brasil erradicou totalmente o HIV em gestantes?

Não. O vírus ainda existe, mas a transmissão para bebês foi controlada de forma sustentada.

Qual foi o papel do SUS nessa conquista?

O SUS garantiu testagem, tratamento gratuito, acompanhamento pré-natal e acesso universal à saúde.

O reconhecimento é definitivo?

Não. A OMS exige vigilância contínua para manter os indicadores dentro dos parâmetros.

Outros países já conseguiram esse feito?

Sim, mas o Brasil é o maior país do mundo e o primeiro da América do Sul a alcançar essa certificação.

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Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
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