Bebê que nasceu morto em maternidade de Boa Vista: família denuncia negligência médica

Raniely Carvalho
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Família denunciou o caso

O caso do bebê que nasceu morto em maternidade de Boa Vista gerou comoção, revolta e pedidos de investigação. Aconteceu no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, em Boa Vista. Familiares da gestante afirmam que houve demora no atendimento, falta de exames e ausência de intervenção de emergência, mesmo diante de sinais claros de sofrimento fetal.

O que aconteceu no caso do bebê que nasceu morto em maternidade de Boa Vista

Segundo familiares, a gestante procurou a maternidade na segunda-feira, relatando fortes dores e contrações, mas foi orientada a retornar para casa. Durante a madrugada, ela voltou à unidade ainda sentindo dores intensas, porém, de acordo com a denúncia, não recebeu a atenção médica necessária.

Líquido amniótico alterado e sinal de alerta ignorado

Por volta das 6h da manhã, a bolsa se rompeu e a gestante informou à equipe que o líquido amniótico apresentava coloração estranha, o que pode indicar presença de mecônio sinal clássico de sofrimento fetal.

Ainda assim, segundo os familiares, não houve urgência no atendimento, nem realização imediata de exames como ultrassonografia, mesmo com a gravidez próxima das 41 semanas.

Bebê nasceu sem vida horas depois

O parto ocorreu por volta das 11h, quando o bebê já nasceu sem sinais vitais. Inicialmente, a família foi informada de que o cordão umbilical estaria enrolado no pescoço da criança, versão que os familiares contestam.

Eles questionam se uma cesariana de emergência, diante do quadro apresentado, poderia ter evitado o desfecho trágico.

Quando há indícios de negligência obstétrica?

Especialistas apontam que sinais como:

  • dores intensas persistentes;
  • líquido amniótico escuro;
  • gestação avançada (pós-termo);
  • suspeita de mecônio;

exigem monitoramento rigoroso e, muitas vezes, intervenção imediata, inclusive com parto cirúrgico de emergência.

A família afirma que:

  • exames não foram realizados no tempo adequado;
  • não houve resposta proporcional à gravidade do quadro;
  • a demora pode ter sido decisiva para a morte do bebê.

Nota oficial da Secretaria de Saúde

Sobre o caso do bebê que nasceu morto em maternidade de Boa Vista, em nota, a Secretaria de Saúde informou que a Comissão de Investigação de Óbito do hospital vai apurar o caso.

Segundo a versão oficial:

  • a paciente deu entrada com 2 cm de dilatação;
  • os batimentos cardíacos fetais estavam estáveis;
  • ela foi internada ao atingir 5 cm de dilatação;
  • o bebê teria aspirado mecônio, o que pode causar falência respiratória grave;
  • a equipe tentou reanimar o recém-nascido, sem sucesso.

Família cobra respostas e responsabilização

Mesmo com a nota oficial sobre o bebê que nasceu morto em maternidade de Boa Vista, os familiares afirmam que muitas perguntas seguem sem resposta e cobram:

  • esclarecimento detalhado da conduta médica;
  • acesso aos prontuários;
  • responsabilização caso falhas sejam confirmadas.

O caso segue sob investigação interna e pode ser encaminhado a outros órgãos de controle, caso sejam identificadas irregularidades.

O que é mecônio e por que ele é perigoso?

É a primeira evacuação do bebê. Quando ocorre ainda no útero e é aspirado, pode causar grave insuficiência respiratória.

Líquido amniótico escuro é sinal de emergência?

Sim. Pode indicar sofrimento fetal e exige avaliação imediata.

Gestação com 41 semanas aumenta riscos?

Sim. Gestação prolongada aumenta riscos de sofrimento fetal e óbito intrauterino.

A família pode pedir investigação externa?

Sim. Além da apuração interna, o caso pode ser levado ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina.

O hospital pode ser responsabilizado?

Caso fique comprovada negligência, imprudência ou imperícia, pode haver responsabilização administrativa, civil e ética.

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Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
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