O caso do bebê que nasceu morto em maternidade de Boa Vista gerou comoção, revolta e pedidos de investigação. Aconteceu no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, em Boa Vista. Familiares da gestante afirmam que houve demora no atendimento, falta de exames e ausência de intervenção de emergência, mesmo diante de sinais claros de sofrimento fetal.
O que aconteceu no caso do bebê que nasceu morto em maternidade de Boa Vista
Segundo familiares, a gestante procurou a maternidade na segunda-feira, relatando fortes dores e contrações, mas foi orientada a retornar para casa. Durante a madrugada, ela voltou à unidade ainda sentindo dores intensas, porém, de acordo com a denúncia, não recebeu a atenção médica necessária.
Líquido amniótico alterado e sinal de alerta ignorado
Por volta das 6h da manhã, a bolsa se rompeu e a gestante informou à equipe que o líquido amniótico apresentava coloração estranha, o que pode indicar presença de mecônio sinal clássico de sofrimento fetal.
Ainda assim, segundo os familiares, não houve urgência no atendimento, nem realização imediata de exames como ultrassonografia, mesmo com a gravidez próxima das 41 semanas.
Bebê nasceu sem vida horas depois
O parto ocorreu por volta das 11h, quando o bebê já nasceu sem sinais vitais. Inicialmente, a família foi informada de que o cordão umbilical estaria enrolado no pescoço da criança, versão que os familiares contestam.
Eles questionam se uma cesariana de emergência, diante do quadro apresentado, poderia ter evitado o desfecho trágico.
Quando há indícios de negligência obstétrica?
Especialistas apontam que sinais como:
- dores intensas persistentes;
- líquido amniótico escuro;
- gestação avançada (pós-termo);
- suspeita de mecônio;
exigem monitoramento rigoroso e, muitas vezes, intervenção imediata, inclusive com parto cirúrgico de emergência.
A família afirma que:
- exames não foram realizados no tempo adequado;
- não houve resposta proporcional à gravidade do quadro;
- a demora pode ter sido decisiva para a morte do bebê.
Nota oficial da Secretaria de Saúde
Sobre o caso do bebê que nasceu morto em maternidade de Boa Vista, em nota, a Secretaria de Saúde informou que a Comissão de Investigação de Óbito do hospital vai apurar o caso.
Segundo a versão oficial:
- a paciente deu entrada com 2 cm de dilatação;
- os batimentos cardíacos fetais estavam estáveis;
- ela foi internada ao atingir 5 cm de dilatação;
- o bebê teria aspirado mecônio, o que pode causar falência respiratória grave;
- a equipe tentou reanimar o recém-nascido, sem sucesso.
Família cobra respostas e responsabilização
Mesmo com a nota oficial sobre o bebê que nasceu morto em maternidade de Boa Vista, os familiares afirmam que muitas perguntas seguem sem resposta e cobram:
- esclarecimento detalhado da conduta médica;
- acesso aos prontuários;
- responsabilização caso falhas sejam confirmadas.
O caso segue sob investigação interna e pode ser encaminhado a outros órgãos de controle, caso sejam identificadas irregularidades.
O que é mecônio e por que ele é perigoso?
É a primeira evacuação do bebê. Quando ocorre ainda no útero e é aspirado, pode causar grave insuficiência respiratória.
Líquido amniótico escuro é sinal de emergência?
Sim. Pode indicar sofrimento fetal e exige avaliação imediata.
Gestação com 41 semanas aumenta riscos?
Sim. Gestação prolongada aumenta riscos de sofrimento fetal e óbito intrauterino.
A família pode pedir investigação externa?
Sim. Além da apuração interna, o caso pode ser levado ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina.
O hospital pode ser responsabilizado?
Caso fique comprovada negligência, imprudência ou imperícia, pode haver responsabilização administrativa, civil e ética.
