Senado aprova criminalização da misoginia no Brasil; entenda o que muda

Raniely Carvalho
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O Senado Federal aprovou por unanimidade o projeto que trata da criminalização da misoginia no Brasil, equiparando o ódio contra mulheres ao crime de racismo.

A proposta, de autoria da senadora Ana Paula Lobato e relatada por Soraya Thronicke, agora segue para análise da Câmara dos Deputados.

Projeto prevê prisão e multa para crimes misóginos

Com a criminalização da misoginia no Brasil, passam a ser considerados crimes atos que envolvam ódio, discriminação ou desprezo contra mulheres.

O texto define misoginia como qualquer conduta baseada na ideia de superioridade masculina.

As penas previstas são:

  • 1 a 3 anos de prisão e multa para incitação ou discriminação
  • 2 a 5 anos de prisão e multa para injúria misógina

Além disso, como o projeto altera a Lei do Racismo, os crimes passam a ser:

  • inafiançáveis
  • imprescritíveis

Proposta amplia proteção contra violência de gênero

A criminalização da misoginia no Brasil surge como uma tentativa de combater a violência contra mulheres desde sua origem, antes mesmo de chegar a agressões físicas.

Durante a votação, Soraya Thronicke destacou que a misoginia muitas vezes está presente em falas e atitudes cotidianas que reforçam desigualdades.

Já Ana Paula Lobato afirmou que a proposta responde a uma demanda social por mais proteção às mulheres.

Projeto ainda precisa passar pela Câmara

Apesar da aprovação no Senado, a criminalização da misoginia no Brasil ainda não está em vigor.

Agora, o texto segue para a Câmara dos Deputados, onde pode:

  • ser aprovado sem mudanças
  • sofrer alterações
  • ou ser rejeitado

Se aprovado, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Caso seja sancionado, passa a valer após publicação no Diário Oficial.

O que muda com a criminalização da misoginia no Brasil

Com a aprovação do projeto, a legislação brasileira pode passar a tratar a misoginia de forma semelhante ao racismo.

Isso significa que atos discriminatórios contra mulheres ganham maior rigor jurídico.

Na prática, a criminalização da misoginia no Brasil:

  • amplia a punição para discursos de ódio contra mulheres
  • cria enquadramento específico para ofensas misóginas
  • fortalece o combate à violência de gênero
  • permite punições mais severas do que as previstas atualmente no Código Penal

Exemplos do que pode ser considerado crime

Entre as condutas que podem ser enquadradas estão:

  • ofensas à dignidade de mulheres por serem mulheres
  • frases que reforcem inferioridade feminina
  • incitação ao ódio ou discriminação
  • conteúdos misóginos na internet

A proposta busca atingir principalmente práticas que antes ficavam em uma “zona cinzenta” da legislação.

Debate entre parlamentares marcou votação

Apesar da aprovação unânime, o projeto gerou discussões no Senado.

A senadora Damares Alves, por exemplo, defendeu a tipificação da misoginia, mas questionou sua inclusão na Lei do Racismo.

Outros parlamentares também levantaram preocupações sobre liberdade de expressão, embora essas propostas não tenham sido incorporadas ao texto final.

O que é misoginia?

É o ódio, desprezo ou discriminação contra mulheres.

A misoginia já é crime no Brasil?

Ainda não. O projeto precisa ser aprovado pela Câmara e sancionado pelo governo federal.

Qual a pena prevista?

De 1 a 5 anos de prisão, dependendo do caso.

O crime será inafiançável?

Sim, se aprovado como previsto no projeto.

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Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
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