Quadrilha do ouro em Roraima: Grupo do WhatsApp ‘Planos de ficar rico’ previa roubo de R$ 800 mil

Redação
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Guilherme Santana da Silva, investigado por roubo de dinheiro e ouro, aparece com roupa tática em grupo com outros investigados. — Foto: Reprodução

As investigações da Polícia Civil de Roraima expuseram a intimidade e o cynismo de uma organização criminosa incrustada na própria segurança pública. Mensagens interceptadas pela Draco e pela Corregedoria revelam que, dois dias antes da execução do roubo de 30 kg de ouro e R$ 800 mil em Boa Vista, a esposa de um investigador criou um grupo no aplicativo WhatsApp batizado de “Planos de ficar rico.com”. O chat serviu para planejar detalhadamente as ações da quadrilha do ouro em Roraima, que contava com agentes públicos, familiares e um influenciador digital.

O grupo reunia o investigador da Polícia Civil de Roraima, Marcelo Henrique Sobral, sua esposa Ariane Cabral Paes, a cunhada Rayana Cabral Paes e o namorado desta, Guilherme Santana da Silva. Juntos com policiais civis do Amazonas e o influenciador “Itz Ivan”, o grupo organizou uma falsa operação policial no bairro Caçari para tomar as cargas de minério e quantias em dinheiro das vítimas no dia 29 de março de 2026.

Bastidores, touca ninja e a mensagem de “Bingo”

As mensagens mostram a preparação minuciosa do assalto. Imagens trocadas no grupo exibiam suspeitos vestidos com roupas pretas e touca ninja. Para garantir o sucesso da empreitada e afastar suspeitas de populares, o grupo utilizou uma picape Ford Ranger branca — viatura oficial descaracterizada da Polícia Civil de Roraima —, fornecida por Marcelo Sobral.

quadrilha do ouro em Roraima
Investigador Marcelo Sobral, da PC de Roraima, orienta sobre roupas e envia foto antes de roubo. — Foto: Reprodução

Instantes após invadirem a residência e levarem as barras do minério e o numerário em espécie, o suspeito Guilherme enviou a palavra “Bingo” no grupo para confirmar o desfecho da ação. Na mesma noite, as irmãs Ariane e Rayana usaram o chat para organizar o repasse e o rateio de maços de dinheiro vivo derivados do ataque.

Pânico, desespero e os crimes imputados à quadrilha do ouro em Roraima

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Conversa entre Marcelo Sobral e esposa Ariane mostra abalo do policial após início de investigações de roubo. — Foto: Reprodução

O clima de euforia e ostentação ruiu quando o comprador lesado registrou ocorrência e a Corregedoria-Geral identificou a viatura nas proximidades do imóvel. Ao descobrirem que eram alvos de inquérito, a estrutura da quadrilha do ouro em Roraima entrou em colapso e pânico generalizado. Em conversas privadas anexadas aos autos, o policial Marcelo Sobral externou forte descontrole emocional, ameaçando retaliar outros envolvidos e afirmando ter “vontade de matar um por um” dos que o prejudicaram.

Do ponto de vista penal, a atuação articulada da quadrilha do ouro em Roraima sujeita os envolvidos a graves penalidades do Código Penal e legislações extravagantes:

  • Organização Criminosa (Lei 12.850/2013): Com o agravante de haver a participação de funcionários públicos que se valeram da função para a prática das infrações.

  • Roubo Majorado (Art. 157, § 2º do CP): Cometido mediante concurso de duas ou mais pessoas, restrição da liberdade das vítimas e uso de armas de fogo.

  • Peculato-Desvio (Art. 312 do CP): Atribuído aos agentes públicos por desviarem e utilizarem bem público (viatura oficial) em proveito próprio ou alheio.

  • Fraude Processual (Art. 347 do CP): Devido às tentativas do grupo de ocultar provas, apagar mensagens de visualização única e destruir equipamentos periciáveis.

Posicionamento das defesas e andamento judicial

Em nota, a defesa do delegado John Castilho (preso no Amazonas) declarou ter sido surpreendida pela prisão preventiva, alegando que o cliente é concursado, sem antecedentes e inocente. A defesa do influenciador Ivan Luiz argumentou que não há provas concretas do seu envolvimento no planejamento do roubo e que demonstrará no processo que seu cliente também foi vítima da quadrilha do ouro em Roraima.

As apurações seguem sob a responsabilidade da Draco e da Corregedoria. Com o bloqueio judicial de mais de R$ 20 milhões em bens do grupo, os acusados permanecem à disposição da Justiça enquanto o Ministério Público formaliza a denúncia contra todos os integrantes da quadrilha do ouro em Roraima.

O que era o grupo "Planos de ficar rico.com"?

Era um grupo de WhatsApp criado pela esposa de um policial civil de Roraima dois dias antes do crime. Ele era utilizado pelos envolvidos para coordenar a logística, vestuários, horários e a divisão do dinheiro roubado.

Como a Polícia Civil descobriu o envolvimento da viatura oficial?

A investigação começou após o comprador de ouro denunciar o assalto. A Corregedoria mapeou a região e descobriu que uma caminhonete Ford Ranger branca, viatura descaracterizada da corporação usada pelo investigador Marcelo Sobral, esteve no local no momento exato do crime.

Qual foi a reação dos suspeitos ao saberem que estavam sendo investigados?

O grupo entrou em pânico. Mensagens periciadas mostram o policial Marcelo Sobral bastante abalado emocionalmente, enviando ameaças de morte contra outros envolvidos por receio de ser preso.

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Conteúdo elaborado pela Direção de Redação do Portal Raniely Carvalho, com produção realizada por equipe graduada e especializada, seguindo critérios técnicos e editoriais.
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