Flávio Bolsonaro quer tirar título de Nossa Senhora Aparecida e promessa a evangélicos revolta Igreja Católica

Redação
Por
4 min Read
Flávio Bolsonaro em culto evangélico

A corrida presidencial de 2026 ganhou um forte componente religioso na reta final do primeiro turno, mobilizando lideranças e fiéis católicos contra o candidato pelo PL, senador Flávio Bolsonaro. O centro do debate gira em torno da repercussão de que, caso eleito, o presidenciável, que conta com forte apoio de igrejas evangélicas, poderia adotar medidas que enfraqueceriam o título histórico de Nossa Senhora Aparecida como a Padroeira oficial do Brasil.

O alerta máximo na liderança católica foi aceso após Flávio prometer a emissão de um decreto presidencial afirmando que o “Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo”. Para a cúpula da Igreja Católica Apostólica Romana, a promessa soou como uma mensagem cifrada à base evangélica neopentecostal e um primeiro passo rumo à desidratação institucional do catolicismo na estrutura do Estado brasileiro, ameaçando diretamente a posição de Nossa Senhora Aparecida.

O fantasma de 2008 e a reação da CNBB sobre o título de Nossa Senhora Aparecida

A proposta de alterar a posição de Nossa Senhora Aparecida tem raízes reais no Congresso Nacional. Em 2007, o então deputado federal e pastor Victório Galli apresentou o Projeto de Lei 2623/07, visando restringir o título de padroeira “aos brasileiros católicos apostólicos romanos”, o que na prática retiraria o status nacional da santa. O projeto foi arquivado em 2008, mas o fortalecimento atual da bancada evangélica reascendeu os temores do clero de que um governo alinhado a esse grupo retome a pauta.

Diante do cenário, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lideranças regionais adotaram uma postura de advertência aos fiéis:

  • Posicionamento da Presidência da CNBB: Dom Jaime Spengler, presidente da entidade, alertou publicamente que a mistura intencional entre religião e política historicamente traz consequências negativas para o país.

  • Bispos do Norte contra o Uso da Fé: Lideranças do Regional Norte 1 (Amazonas e Roraima) circularam vídeos advertindo contra a “manipulação religiosa que pede votos em nome de Deus”, frisando que igrejas não devem servir como currais eleitorais.

  • Pronunciamento do Arcebispo Emérito: Dom Orlando Brandes destacou em homilia que os eleitores devem votar de acordo com a própria consciência e buscando o bem comum.

  • Precedentes de Intolerância: A resistência católica é reforçada pela lembrança de episódios de hostilidade contra imagens sacras, desde o famoso “chute na santa” em 1995 até declarações recentes de pastores que classificaram estátuas da padroeira como símbolos maléficos.

O status de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país foi oficializado pelo Papa Pio XI em 1930. Em 1980, após a visita do Papa João Paulo II, o dia 12 de outubro foi consolidado como feriado nacional no Brasil.

A defesa de Flávio Bolsonaro e o impacto eleitoral

Em meio à escalada da polêmica que começou a circular em canais de notícias e grupos de WhatsApp, Flávio Bolsonaro usou suas redes sociais para negar categoricamente que tenha qualquer plano de alterar o status de Nossa Senhora Aparecida. No X (antigo Twitter), o candidato chamou os relatos de “grande mentira” e acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de espalhar desinformação para tentar prejudicar sua imagem junto ao eleitorado católico na reta final da disputa.

O embate escancara uma disputa histórica pela identidade religiosa da República, mostrando como o tensionamento entre correntes cristãs se tornou uma arma decisiva na busca pelo Palácio do Planalto.

Por que a Igreja Católica está criticando a campanha de Flávio Bolsonaro?

Setores da Igreja viram a promessa do candidato de decretar que o "Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo" como um aceno aos evangélicos e uma ameaça potencial ao status de padroeira nacional detido pela Virgem Maria, gerando manifestações de bispos contra a manipulação da fé por políticos.

Existe algum projeto para retirar o título da padroeira do Brasil?

Atualmente não há um projeto ativo, mas a polêmica relembra uma proposta arquivada em 2008, de autoria de um deputado evangélico (PL 2623/07), que tentava rebaixar o título apenas a "padroeira dos brasileiros católicos".

O que disse o candidato sobre a polêmica?

Flávio Bolsonaro negou qualquer intenção de alterar o título da padroeira, classificando os boatos como uma "grande mentira" sem "pé nem cabeça" e atribuindo a circulação da história a adversários políticos.

Compartilhe Este Artigo
Follow:
Conteúdo elaborado pela Direção de Redação do Portal Raniely Carvalho, com produção realizada por equipe graduada e especializada, seguindo critérios técnicos e editoriais.
0:00
0:00