A corrida presidencial atingiu seu nível máximo de tensão na reta final deste domingo (27). O episódio em que Flávio Bolsonaro acusa a CNBB de colaborar na disseminação de notícias falsas sobre Nossa Senhora Aparecida provocou uma dura nota de resposta da cúpula da Igreja Católica no Brasil, transformando a disputa pelo Palácio do Planalto em uma verdadeira guerra religiosa a poucos dias do primeiro turno.
O candidato do PL participava de uma carreata em uma região nobre de Goiânia (GO) quando decidiu responsabilizar a entidade pelos boatos de que ele teria um plano para retirar o status de Padroeira do Brasil da santa católica. A repercussão do caso forçou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil a se manifestar oficialmente na noite de domingo.
Sem apresentar provas, Flávio Bolsonaro acusa a CNBB e recebe resposta incisiva dos bispos
Durante o ato de campanha na capital goiana, o senador ligou a organização religiosa à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No momento em que Flávio Bolsonaro acusa a CNBB, ele afirma que os adversários operam uma “liga da mentira” financiada com dinheiro público. “O PT, eu sei hoje, já estava havia alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB”, disparou o candidato.
A reação da instituição religiosa foi imediata. A nota oficial destacou que a forma como Flávio Bolsonaro acusa a CNBB de participar de estruturas de desinformação, sem a apresentação de qualquer material comprobatório, atinge injustamente a Igreja e fere a responsabilidade necessária ao processo eleitoral.
“Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição”, declarou a entidade, arrematando com uma frase de forte peso moral: “A mentira não se combate com outra mentira”. A CNBB frisou ainda que não produziu, não autorizou e não participou da elaboração de informações falsas no pleito.
Embate com o STF e liberação de postagem
Além de mirar o clero católico, o candidato do PL também subiu o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio criticou duramente o ministro Flávio Dino, que reverteu uma decisão do colega André Mendonça (vice-presidente do TSE). Mendonça havia ordenado a remoção de uma publicação do humorista Antonio Tabet que dizia: “A família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.
Dino derrubou a censura ao post argumentando que Tabet não citou nominalmente Flávio ou seus familiares, resguardando o direito à sátira e à opinião. Em resposta, o candidato declarou que Dino “liberou a liga da mentira do PT a atuar livremente” e prometeu responsabilização cível e criminal contra os autores das publicações.
Com as pesquisas indicando um empate técnico na dianteira das intenções de voto contra Lula, o senador justificou o imbróglio como um “desespero do lado de lá” diante da aproximação do dia 4 de outubro. O embate com a maior entidade católica do país, contudo, adiciona um componente explosivo e imprevisível à última semana de campanha.
O que Flávio Bolsonaro disse sobre a CNBB?
Durante uma carreata em Goiânia, o candidato afirmou que o boato sobre ele querer retirar o título de Nossa Senhora Aparecida foi orquestrado pelo PT "com a ajuda de gente de dentro da CNBB".
Como a Igreja Católica (CNBB) respondeu às acusações?
A entidade emitiu uma nota oficial rechaçando as declarações. A CNBB afirmou que a acusação foi feita sem fatos ou provas, que atinge injustamente a instituição e declarou que "a mentira não se combate com outra mentira".
Qual foi o envolvimento do STF e de Flávio Dino no caso?
Flávio Bolsonaro criticou o ministro Flávio Dino por ter derrubado uma decisão de André Mendonça que obrigava a remoção de um post do humorista Antonio Tabet. Tabet havia associado uma "família miliciana" a ataques contra a santa.
