A Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou, na tarde desta segunda-feira (20), a terceira maior apreensão de ouro da sua história. A operação aconteceu na BR-174, em Boa Vista (RR), e resultou na apreensão de 48 barras de ouro maciço, totalizando 37,4 quilos do metal precioso.
De acordo com a PRF, o flagrante ocorreu durante uma ação de policiamento orientado por inteligência, metodologia que direciona os esforços da corporação para alvos estratégicos ligados a crimes ambientais e ilícitos transnacionais.
O ouro estava escondido em compartimentos de uma caminhonete, e o condutor foi preso em flagrante. A suspeita é de que o material seja proveniente de garimpo ilegal em áreas de proteção ambiental e terras indígenas no interior de Roraima.
O motorista e o material apreendido foram encaminhados à Polícia Federal (PF) para os procedimentos cabíveis.
Com essa ação, a PRF se consolida como a força policial que mais apreendeu ouro no Brasil em 2025, somando 190 quilos de ouro apreendidos, o equivalente a R$ 130 milhões em valor de mercado.
Garimpo ilegal e apreensão de ouro em Boa Vista: um problema persistente
A apreensão de ouro em Boa Vista escancara o alerta sobre o crescimento das atividades de garimpo ilegal em áreas de floresta e dentro de terras indígenas em Roraima.
Essas operações clandestinas têm impactos profundos no meio ambiente, provocando desmatamento, contaminação por mercúrio e conflitos com comunidades indígenas.
Nos últimos anos, o Estado tem sido rota importante no escoamento do ouro ilegal, muitas vezes transportado em pequenas quantidades por via terrestre ou aérea, com destino a outros estados e até ao exterior.
O uso de inteligência policial e monitoramento por drones e satélites na apreensão de ouro em Boa Vista tem sido fundamental para interceptar o transporte do metal e enfraquecer a rede de financiamento do garimpo irregular.
Por que o garimpo ilegal é considerado crime?
O garimpo sem autorização de órgãos ambientais ou sem registro na Agência Nacional de Mineração (ANM) é crime previsto na Lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) e no Código Penal (art. 55).
Além da extração irregular, o transporte e a comercialização do ouro sem origem comprovada também configuram crime de receptação e lavagem de dinheiro.
Qual o prejuízo ambiental do garimpo ilegal em Roraima?
As atividades ilegais provocam:
Desmatamento de áreas protegidas;
Contaminação de rios com mercúrio, substância usada na purificação do ouro;
Ameaça à fauna e flora locais;
E impactos diretos à saúde de comunidades indígenas e ribeirinhas.
Como o ouro ilegal é transportado?
Os criminosos costumam ocultar o ouro em veículos, malas ou aeronaves pequenas, misturando o material com cargas comuns para evitar fiscalização.
O uso de rotas rodoviárias como a BR-174 tem sido frequente por conectar Roraima a outros estados e à fronteira com a Venezuela.
Qual o destino do ouro apreendido?
Após a apreensão, o material é encaminhado à Polícia Federal e passa por perícia metalúrgica para confirmar sua origem.
Se comprovada a ilegalidade, o ouro é recolhido pela União e pode ser destinado a fundos de recuperação ambiental.
