Condenada por tráfico em Roraima era namorada de chefe do CV no Amazonas

Raniely Carvalho
9 min Read

Evelyn Lorrany Nogueira de Lima, namorada do chefe do CV no Amazonas, conhecida como “Porcelana”, voltou a ser destaque nas investigações criminais em Roraima e no Amazonas.

Condenada por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo, ela é apontada como namorada de Thiago Lima dos Santos, o “TH da Zona Leste”, e amiga pessoal de Francisco Myller Moreira da Cunha, o “Gringo”, chefe do CV no Amazonas, morto durante a megaoperação policial no Rio de Janeiro nesta semana.

A jovem, que cumpre pena em regime semiaberto com monitoramento eletrônico, é investigada pela Polícia Civil de Roraima por supostamente ter ajudado na fuga de quatro integrantes da facção Comando Vermelho (CV) do maior presídio do estado.

Ela foi alvo de mandados de busca e apreensão em Manaus, mas não foi localizada, pois, segundo as investigações, estava no Rio de Janeiro no mesmo período em que o amigo foi morto durante o confronto.

“Porcelana foi uma das responsáveis por oferecer suporte logístico e financeiro à fuga dos presos. Há indícios de que ela e outros comparsas financiaram o transporte dos criminosos até o Amazonas”, explicou o delegado Wesley Oliveira, do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

Vínculos com chefe do CV no Amazonas

Evelyn Lorrany ficou conhecida entre investigadores por seu envolvimento com lideranças do Comando Vermelho (CV).
Seu namorado, Thiago Lima dos Santos, o “TH da Zona Leste”, era considerado chefe do CV no Amazonas e foi morto em julho de 2025, em Manaus, durante um confronto armado.

Além disso, ela mantinha amizade próxima com Francisco Myller Moreira da Cunha, o “Gringo” ou “Suíça”, apontado como chefe do CV no Amazonas e um dos operadores de confiança de Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, figura central da facção no Norte do país.

Um dia após a megaoperação no Rio de Janeiro, que deixou 64 mortos e 81 presos, Porcelana publicou uma mensagem em suas redes sociais lamentando a morte de Gringo:

“Vai nos fazer muita falta”, escreveu ela.

A publicação chamou a atenção dos investigadores de Roraima, já que a decisão judicial que a condenou não mencionava restrições ao uso de redes sociais, mas também não autorizava viagens interestaduais.
Ainda não se sabe se ela tinha autorização judicial para estar no Rio de Janeiro no momento da operação.

Condenação por tráfico e arma de fogo

Em 2023, Porcelana foi condenada a cinco anos de prisão, em regime semiaberto, por tráfico de drogas e posse ilegal de armas de fogo.
A sentença foi proferida pela Vara de Entorpecentes e Organização Criminosa de Boa Vista, após o Ministério Público de Roraima (MPRR) apresentar provas da sua participação no esquema de venda e distribuição de entorpecentes na capital.

A prisão que levou à condenação ocorreu em junho de 2022, quando ela e o namorado “TH da Zona Leste” foram flagrados pela polícia em frente à casa que dividiam no bairro Canarinho, em Boa Vista.
Na ocasião, os agentes apreenderam:

  • 1,7 kg de cocaína;

  • 32 g de maconha;

  • duas armas de fogo;

  • 45 munições calibre 9 mm.

Após a condenação, sua defesa solicitou transferência para Manaus, alegando que Evelyn tem duas filhas pequenas, de 4 e 7 anos, que dependem dela.
A Justiça acatou o pedido em abril de 2024, e o processo foi remetido ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), onde atualmente tramita sob sigilo.

Investigação por fuga de presos em Roraima

A jovem é investigada no mesmo inquérito que apura a fuga de quatro membros do Comando Vermelho do presídio Monte Cristo, em Boa Vista o maior do estado.
De acordo com as investigações, Porcelana e TH teriam enviado dinheiro e apoio logístico aos fugitivos, que tentaram chegar ao Amazonas por rotas fluviais, já que ele era chefe do CV no Amazonas.

“Identificamos depósitos, mensagens e vídeos que mostram a articulação entre os fugitivos e comparsas em Manaus. O grupo comprou combustível, alimentos e equipamentos para se manter escondido na mata”, detalhou o delegado Wesley Oliveira.

Além de Porcelana, outros 13 suspeitos são investigados, incluindo uma enfermeira, que teria atuado no transporte de drogas e medicamentos ao grupo.
Todos os foragidos foram recapturados, mas a investigação segue em curso.

Relação com a megaoperação no Rio de Janeiro

A morte de Gringo, chefe do CV no Amazonas, ocorreu durante a megaoperação policial no Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que se tornou a mais letal da história do estado, com 64 mortos e 81 presos.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil do Rio, Gringo estava entre os traficantes do Norte do país que haviam se deslocado ao Rio para estreitar laços com o núcleo fluminense do Comando Vermelho.

A operação, denominada “Contenção”, mobilizou 2.500 agentes das forças de segurança e mirou 100 alvos ligados ao tráfico interestadual de drogas e armas.
Durante a ação, criminosos reagiram com tiros e chegaram a lançar explosivos por drones, um episódio inédito na história recente do estado e do Brasil.

O secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, afirmou que parte das conexões do CV fluminense vinha do Norte do país, especialmente de Amazonas, Roraima e Pará, estados onde o grupo expandiu suas bases logísticas.

“Há uma rede de apoio entre facções interestaduais, e o Amazonas é um ponto estratégico na entrada de drogas e armas pelo Norte. Por isso, combatemos o Comando Vermelho em múltiplos estados”, afirmou o secretário.

Relembre o caso: a megaoperação que abalou o Comando Vermelho

No dia 28 de outubro de 2025, o Rio de Janeiro viveu um verdadeiro cenário de guerra.
A Operação Contenção, deflagrada pela Polícia Civil, PM e Ministério Público, teve como foco os complexos do Alemão e da Penha, redutos históricos do Comando Vermelho (CV).

Em apenas 12 horas de ação:

  • 64 pessoas morreram, entre elas 4 policiais;

  • 81 suspeitos foram presos;

  • Mais de 75 fuzis foram apreendidos;

  • Drones com explosivos foram lançados contra as forças policiais.

Os confrontos se espalharam por toda a cidade, e criminosos ergueram barricadas em vias expressas, queimaram ônibus e interditaram trechos da Linha Amarela e da Avenida Brasil.
Entre os mortos, estavam líderes do CV de diversos estados, incluindo Gringo (chefe do CV no Amazonas) e Rato (Bahia), ambos considerados peças-chave na expansão da facção para o Norte e Nordeste.

O caso de Evelyn “Porcelana” mostra como o crime organizado no Norte do país está profundamente conectado às estruturas do Comando Vermelho em outros estados.

Com uma trajetória marcada por relações afetivas e criminosas com líderes do CV, ela se tornou um símbolo do entrelaçamento entre tráfico, poder e influência digital.

Enquanto o Draco em Roraima continua investigando seu envolvimento na fuga de presos, a Polícia Civil do Amazonas busca esclarecer se Porcelana violou as condições do regime semiaberto ao viajar para o Rio, justamente no momento em que o chefe do CV no Amazonas tombava em confronto.

Quem é “Porcelana” e por que ela é investigada?

Evelyn Lorrany Nogueira de Lima, de 23 anos, é uma condenada por tráfico de drogas e investigada por ajudar na fuga de presos ligados ao Comando Vermelho em Roraima.
Ela é namorada do traficante “TH da Zona Leste”, morto em Manaus, e amiga de Francisco Myller Moreira da Cunha, o “Gringo”, considerado um dos chefes do CV no Amazonas.

O que significa “chefe do CV no Amazonas”?

O Comando Vermelho (CV) é uma das maiores facções criminosas do Brasil, com ramificações em 25 estados.
No Amazonas, os “chefes do CV” são responsáveis por coordenar o tráfico de drogas e armas, principalmente na rota Tabatinga–Manaus–Boa Vista, usada para escoar entorpecentes vindos da Colômbia e da Venezuela.

Esses líderes também controlam presídios, comunidades e rotas fluviais, utilizando a região Norte como porta de entrada de drogas para o restante do país.
Gringo e TH estavam entre os nomes mais influentes da cúpula da facção no estado.

O que é o Draco e qual seu papel nas investigações?

O Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco) é um órgão da Polícia Civil de Roraima responsável por investigar organizações criminosas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
No caso de Porcelana, o Draco conduz as investigações sobre a fuga de presos e o financiamento interestadual de facções.
O departamento atua em parceria com a Polícia Civil do Amazonas e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco).

Por que a megaoperação no Rio envolveu criminosos do Norte?

As investigações apontam que traficantes do Norte (principalmente do Amazonas e de Roraima) estavam financiando o Comando Vermelho carioca, fornecendo drogas, dinheiro e armas.
Por isso, a operação teve alvos de vários estados, incluindo Gringo, Rato e Doca, líderes nacionais da facção.

A morte de Gringo, um dos chefes do CV no Amazonas, expôs a dimensão nacional do Comando Vermelho e sua capacidade de operar em rede.

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Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
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