A morte de inspetor da GCM em Boa Vista gerou comoção e revolta entre familiares e colegas de trabalho.
Gilmar Rosas Sarmento, inspetor da Guarda Civil Municipal de Boa Vista, morreu na última sexta-feira (31) após uma série de complicações médicas que, segundo a família, teriam sido causadas por um erro durante um procedimento de endoscopia realizado no Hospital Geral de Roraima (HGR).
Entenda o caso da morte de inspetor da GCM em Boa Vista
Segundo familiares, Gilmar procurou atendimento médico após se engasgar com um pequeno pedaço de osso de peixe.
No HGR, ele passou por uma endoscopia na segunda-feira (27), mas os médicos, ao não conseguirem retirar o fragmento, decidiram empurrar o osso para o estômago.
Depois do procedimento, o inspetor recebeu alta hospitalar e voltou para casa. Porém, em poucas horas, começou a apresentar febre, dores no peito e dificuldade para respirar.
Mesmo retornando ao hospital dois dias depois, os profissionais de saúde teriam minimizado os sintomas, atribuindo-os aos efeitos do procedimento.
Quadro agravado e demora no diagnóstico
De acordo com o relato da esposa, o paciente apresentava pressão arterial baixa (8×5) e saturação de 93%, mas ainda assim foi liberado com prescrição de nimesulida e soro.
Durante a madrugada, o estado de saúde de Gilmar piorou consideravelmente, levando a família a procurar o Hospital Cosme Silva.
Lá, uma nova avaliação revelou um derrame pleural, acúmulo de líquido nos pulmões — e lesões pulmonares visíveis em exames de imagem.
Ele foi colocado em oxigênio e antibióticos, mas o quadro não apresentou melhora, e o paciente acabou sendo transferido novamente ao HGR na manhã de sexta-feira.
Últimos momentos e comoção entre colegas da GCM
Já em estado crítico, Gilmar ficou horas em reanimação (RCP) e, segundo a equipe médica, apresentava um quadro de infecção pulmonar grave.
Durante o processo de entubação, ele não resistiu e faleceu por volta das 15h, ocasionando na morte de inspetor da GCM em Boa Vista.
A certidão de óbito registrou pneumonia como causa oficial, mas os familiares afirmam que a morte foi consequência direta do procedimento inadequado realizado dias antes.
“Meu pai procurou ajuda, e a negligência tirou a vida dele. Queremos respostas, queremos justiça”, declarou Suh Santana, filha do inspetor, em nome da família.
Gilmar Rosas Sarmento era inspetor da Guarda Civil Municipal de Boa Vista há vários anos e era conhecido entre os colegas por sua dedicação, disciplina e compromisso com a comunidade.
Sua morte deixou enlutados os companheiros de farda, que compareceram ao velório e prestaram homenagens à família.
Denúncia formal e busca por justiça
Inconformada após a morte de inspetor da GCM em Boa Vista, a família registrou um boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial de Boa Vista, denunciando o caso como erro médico.
Além disso, os parentes e representantes da Guarda Civil Municipal afirmaram que vão ingressar com uma ação judicial contra o Governo do Estado e solicitar investigação do Conselho Regional de Medicina (CRM-RR).
O Hospital Geral de Roraima ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso até a publicação desta matéria.
Entenda: o que é considerado erro médico?
Um erro médico ocorre quando há falha na conduta profissional, resultando em dano físico, psicológico ou morte do paciente.
Pode envolver negligência, imprudência ou imperícia, por exemplo, quando um diagnóstico é feito de forma incorreta ou quando o tratamento adotado é inadequado à situação clínica.
De acordo com o Código de Ética Médica, todos os profissionais da área têm o dever de atuar com zelo, atenção e respeito à vida humana, respondendo civil e criminalmente por falhas comprovadas.
A morte de inspetor da GCM em Boa Vista deixou um vazio na corporação e entre familiares.
O caso reacende o debate sobre a qualidade do atendimento hospitalar em Roraima e a necessidade de transparência e responsabilidade em situações que envolvem a perda de vidas por falhas médicas.
A família afirma que seguirá lutando por respostas e justiça, para que casos como o de Gilmar não se repitam.
O que fazer ao suspeitar de erro médico?
A primeira medida é guardar todos os documentos e exames relacionados ao atendimento.
Em seguida, o paciente ou familiares devem registrar um boletim de ocorrência e procurar um advogado ou a Defensoria Pública.
O caso também pode ser denunciado ao Conselho Regional de Medicina (CRM), que é o órgão fiscalizador da conduta médica.
Como o erro médico é comprovado?
A comprovação depende de perícia técnica realizada por especialistas.
Eles analisam prontuários, relatórios e condutas médicas para determinar se houve negligência (omissão), imprudência (risco desnecessário) ou imperícia (falta de habilidade técnica).
A família pode pedir indenização?
Sim. Caso o erro seja comprovado, é possível ingressar com uma ação de indenização por danos morais e materiais.
Hospitais públicos e privados, bem como os profissionais envolvidos, podem ser responsabilizados judicialmente.
O hospital pode ser punido?
Sim. Além da esfera civil, unidades de saúde podem sofrer sanções administrativas se for comprovada falha grave na conduta médica ou na estrutura hospitalar.
Em casos extremos, o Ministério Público pode pedir intervenção ou responsabilização de gestores.
