Suspeito atacado por cães em Boa Vista pede ajuda à polícia durante fuga

Raniely Carvalho
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Um caso inusitado chamou atenção na madrugada desta sexta-feira (1º), em Boa Vista, capital de Roraima. Um suspeito atacado por cães em Boa Vista acabou pedindo ajuda à própria polícia depois de tentar fugir de uma abordagem e invadir o quintal de uma casa protegida por cães de guarda.

Fuga terminou de forma inesperada

De acordo com informações da Polícia Militar, o homem teria demonstrado nervosismo ao avistar uma viatura da Força Tática, que realizava patrulhamento de rotina em um bairro da zona Oeste da capital.

Ao perceber a aproximação dos agentes, o suspeito atacado por cães em Boa Vista iniciou uma corrida em fuga, pulando muros e tentando escapar por quintais residenciais. Durante a tentativa, acabou invadindo o terreno de uma casa sem perceber que o local contava com cães da raça pitbull, conhecidos por seu instinto protetor e agilidade.

Ataque dos cães fez suspeito pedir socorro à polícia

Ao entrar no quintal, o suspeito foi imediatamente atacado pelos animais, que reagiram à invasão com mordidas nos braços e nas pernas.
O ataque foi tão intenso que, em desespero, o homem começou a gritar por socorro e chegou a pedir ajuda aos próprios policiais dos quais estava fugindo.

De acordo com a ocorrência, o barulho chamou atenção das equipes da Força Tática, que rapidamente entraram no local, afastaram os cães e prestararam os primeiros socorros ao ferido.

Mesmo com ferimentos graves, o suspeito sobreviveu e foi encaminhado ao hospital sob custódia policial.

suspeito atacado por cães em Boa Vista: estado de saúde e investigação

O homem suspeito atacado por cães em Boa Vista, que ainda não teve a identidade divulgada, foi levado por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Geral de Roraima (HGR). Ele segue internado sob vigilância da Polícia Militar, e deve ser ouvido assim que receber alta médica.

A Polícia Civil de Roraima investiga os motivos da fuga e se o suspeito estava envolvido em alguma ação criminosa antes de ser abordado.

Cães de guarda e segurança: o outro lado da história

Segundo especialistas em comportamento animal, casos como o do suspeito atacado por cães em Boa Vista são consequência direta da proteção territorial.
Cães como pitbulls, rottweilers e pastor alemão têm o instinto natural de defender o espaço e o tutor, por isso, costumam reagir com força quando percebem uma invasão.

Mesmo assim, especialistas reforçam que os ataques geralmente ocorrem em situações de invasão ou ameaça, e que cães bem treinados podem distinguir comportamentos agressivos de simples aproximações.

Origem do pitbull: de cão de fazenda a símbolo de força e polêmica

O pitbull terrier americano surgiu no século XIX, resultado do cruzamento entre bulldogs e terriers ingleses. Criado originalmente para cuidar do gado e proteger propriedades rurais, o animal ganhou fama pela força e resistência.

Infelizmente, muitos criadores passaram a usá-lo em brigas ilegais entre cães, o que distorceu sua imagem e o associou à agressividade. Apesar de ser afetuoso e fiel ao tutor, o pitbull se tornou um dos cães mais polêmicos do mundo, alvo de leis restritivas e de debates sobre responsabilidade na criação.

Por que o pitbull foi proibido em alguns lugares?

A raça não é proibida em todo o Brasil, mas alguns municípios e estados impõem restrições à sua criação ou exigem medidas de segurança obrigatórias, como focinheira, guia curta e registro específico.

Essas regras surgiram após uma série de ataques fatais envolvendo cães maltratados ou mal treinados, o que gerou medo e preconceito.

Especialistas afirmam que o problema não está na raça, mas na forma como o animal é criado. Com socialização, adestramento e cuidados adequados, o pitbull é um cão equilibrado, protetor e extremamente leal à família.

A legislação brasileira prevê que o dono do animal não é responsabilizado em casos de ataque quando há invasão de propriedade, como neste episódio.

No entanto, se o ataque ocorrer fora do perímetro da residência ou sem provocação, o tutor pode responder civil e criminalmente.

O caso do suspeito atacado por cães em Boa Vista terminou sem mortes, mas ilustra bem como instinto e segurança doméstica podem se cruzar de forma inesperada.

Enquanto o homem se recupera sob custódia policial, o episódio serve de alerta sobre os riscos de invasão de propriedades e reforça o papel dos cães como protetores naturais, fiéis, leais e, acima de tudo, guardiões do território.

Quais são as raças mais usadas como cães de guarda?

As raças mais comuns no Brasil para proteção residencial são:

Pitbull Terrier Americano – forte, fiel e altamente protetor;

Rottweiler – equilibrado, obediente e com forte instinto territorial;

Pastor Alemão – inteligente e versátil, usado também em forças policiais;

Fila Brasileiro – de guarda nata, leal ao dono e desconfiado com estranhos;

Doberman – ágil e disciplinado, excelente para grandes áreas.

É legal manter cães de guarda em casa?

Sim. A legislação permite o uso de cães de guarda, desde que sejam mantidos em áreas seguras e cercadas, evitando riscos a pedestres e vizinhos.
É importante garantir alimentação adequada, abrigo e treinamento que evitem agressividade descontrolada.

O dono pode ser processado se o cão atacar um invasor?

Em casos como o suspeito atacado por cães em Boa Vista, a lei não responsabiliza o tutor, pois o ataque ocorreu durante invasão de propriedade privada.
Entretanto, se o ataque acontecer fora do quintal ou se o cão escapar e ferir alguém, o tutor pode responder por omissão de cautela, lesão corporal ou homicídio culposo, dependendo da gravidade.

Como evitar ataques acidentais de cães de guarda?

Treinamento e socialização são essenciais.
Recomenda-se:

adestrar o cão com reforço positivo;

não incentivar agressividade gratuita;

manter portões e cercas seguras;

e sempre avisar com placas de “Cuidado com o cão” em locais visíveis.

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Raniely Carvalho é jornalista, fundadora e editora-chefe do Portal Raniely Carvalho. Natural de Boa Vista (RR), é formada pela Faculdade Atual da Amazônia e pela Estácio de Roraima. Com registro profissional (DRT 421/RR), atua há anos como repórter em emissoras locais e produz conteúdo focado em jornalismo regional, segurança pública e temas de interesse social.
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