A fraude no Banco Master tornou-se um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos no país, com desdobramentos que atingem investidores, dirigentes de instituições públicas, autoridades políticas e o próprio Banco Central.
O caso explodiu nesta semana após a Polícia Federal prender o presidente do banco, Daniel Vorcaro, e quatro diretores envolvidos em operações irregulares.
A investigação aponta que o banco emitiu títulos de crédito falsos, manipulou resultados, simulou liquidez e realizou uma série de manobras contábeis para esconder problemas graves de caixa. O prejuízo estimado pode alcançar R$ 12 bilhões.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e tornou indisponíveis os bens de controladores e ex-administradores.
Fraude no Banco Master expõe esquema bilionário, prisões e intervenção do Banco Central
A ação foi deflagrada em diferentes estados, com mandados de prisão e busca cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o esquema está entre os maiores já identificados pelo órgão.
Segundo investigações do Ministério Público Federal e do Banco Central, o banco emitiu R$ 50 bilhões em CDBs oferecendo juros muito acima do mercado, sem comprovação de que teria condições de pagar os investidores no futuro. A instituição recorria a fundos e bancos públicos para manter a aparência de solidez.
O entendimento dos investigadores é que havia uma rede organizada para sustentar a operação e evitar o colapso da instituição, algo que acabou acontecendo mesmo assim.
Venda de títulos falsos e as operações sem lastro
A PF afirma que a fraude no Banco Master envolvia a emissão de certificados de depósito bancário baseados em ativos que não existiam. Parte dos valores captados era registrada como aplicada em carteiras de crédito de uma empresa chamada Tirreno.
O banco nunca pagou por esses créditos fictícios, mas os utilizou para convencer o mercado de que tinha liquidez. Em seguida, revendeu esses mesmos créditos ao Banco de Brasília (BRB), que desembolsou R$ 12,2 bilhões sem documentação que validasse as operações.
Essa transação ocorreu ao mesmo tempo em que o BRB tentava comprar parte do Banco Master. As negociações haviam sido apoiadas politicamente, inclusive pelo governador do Distrito Federal.
BRB injetou bilhões para manter o Master ativo
Entre 2024 e 2025, o BRB transferiu R$ 16,7 bilhões ao Master. Para o Ministério Público Federal, a atuação dos dirigentes do banco de Brasília ignorou irregularidades que já eram conhecidas, configurando indícios de gestão fraudulenta.
A proximidade entre as instituições tornou-se parte fundamental da investigação da fraude no Banco Master. Há indícios de influência política na liberação de recursos e na decisão de prosseguir com operações de risco.
Prisão de Daniel Vorcaro e tentativa de deixar o país
Daniel Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos quando se preparava para embarcar em um jato com destino a Malta. Ele havia deixado a sede do banco horas após a divulgação da venda da instituição para um grupo de investidores.
A defesa argumenta que o destino final do voo seria Dubai e que Vorcaro participaria de uma reunião com compradores internacionais. Para a PF, o momento da viagem e o histórico da operação indicam intenção de fugir.
O fundador do Banco Master permanece preso após audiência de custódia.
Liquidação extrajudicial decretada pelo BC
Com a liquidação, todas as operações do banco foram encerradas. Um liquidante foi nomeado para administrar o patrimônio, levantar dívidas e organizar pagamentos aos credores.
A decisão impede qualquer negociação, inclusive a compra anunciada pela holding Fictor, que previa aporte de R$ 3 bilhões.
Antes da fraude no Banco Master, a instituição já enfrentava sérios problemas de caixa, dependia de recursos emergenciais e vinha oferecendo retornos muito acima do mercado, o que aumentou ainda mais as suspeitas sobre sua saúde financeira.
CDBs com juros acima do mercado acenderam alerta
Especialistas explicam que bancos sólidos pagam, em média, algo próximo de 100% a 105% do CDI. O Master oferecia de 130% a 180%, chegando até a 40% acima da taxa básica do mercado.
Para conseguir pagar isso, seria necessário emprestar a taxas muito maiores — algo inviável para uma instituição saudável.
A investigação aponta que o Master usou dinheiro de novos investidores para honrar compromissos antigos, criando um círculo insustentável.
Impacto para correntistas e investidores
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobrirá até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimentos até a data da liquidação. Valores acima desse limite entram na fila da massa falida.
O pagamento não é imediato e depende de envio de dados do liquidante ao FGC. Em processos recentes, a liberação variou entre 14 e 40 dias.
Fundos de investimento administrados pelo Master não sofrem os mesmos efeitos, pois têm patrimônio separado.
Investigação mira tentáculos políticos e influência em fundos
A PF e o Ministério Público apontam que operações entre o Master e outros bancos foram impulsionadas por pressão de autoridades com influência em fundos públicos e instituições financeiras.
Esses vínculos passam a ser analisados com mais profundidade, e a expectativa é que o caso de fraude no Banco Master avance também no campo político.
O que acontece agora
A liquidação marca o fim do Banco Master como instituição financeira ativa.
Os próximos passos incluem:
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levantamento de bens;
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análise de documentos internos;
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identificação de credores;
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responsabilização de administradores e gestores;
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investigação criminal aprofundada;
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medidas judiciais para ressarcimento de prejuízos.
A PF afirma que novas fases da operação não estão descartadas.
Com isso, a fraude no Banco Master segue no centro do debate público e ainda terá desdobramentos nos próximos meses.
Qual foi a fraude no Banco Master?
A investigação aponta emissão de CDBs sem lastro, compra e venda de créditos inexistentes e manipulação de resultados para simular liquidez.
A fraude no Banco Master afeta todos os clientes?
Somente aplicações cobertas pelo FGC estão protegidas até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
O que acontece com quem tinha valores acima do limite?
O excedente entra na fila de credores da massa falida, sem garantia de recebimento rápido.
Quem está preso?
Daniel Vorcaro e quatro diretores do banco. Outros investigados foram alvo de busca e apreensão.
O que motivou a liquidação?
Indícios de irregularidades contábeis, incapacidade de pagamento e risco ao sistema financeiro.
O BRB será investigado?
Há indícios de que dirigentes do BRB participaram de decisões que beneficiaram o Master, e isso já é analisado por MPF e PF.
O que acontece com fundos de investimento do Master?
Eles continuam existindo porque têm patrimônio próprio, apenas trocam de administrador.
