Faleceu nesta terça-feira (21) Diogênio Mayer, de 69 anos, que havia sido baleado por um militar de Boa Vista no último domingo (19) durante uma ocorrência de violência doméstica em uma vila militar no bairro São Francisco, em Boa Vista.
O principal suspeito do disparo é o tenente-coronel do Exército Brasileiro K.Y.N., de 46 anos, que foi preso em flagrante logo após o crime.
Segundo informações da Polícia Militar de Roraima (PMRR), o militar teria agredido a esposa, de 42 anos, e a filha do casal, o que levou a jovem a pedir ajuda ao tio e ao avô.
Durante a tentativa de defender a irmã, o cunhado do tenente-coronel entrou em luta corporal com o agressor. Foi nesse momento que o militar sacou a arma e disparou contra o sogro, atingindo-o com tiros na região do tórax.
A vítima chegou a ser socorrida e levada a uma unidade hospitalar, onde permaneceu internada em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos.
O caso segue sendo acompanhado pela Polícia Civil de Roraima e pelo Exército Brasileiro. O tenente-coronel permanece preso à disposição da Justiça Militar.
Amigos e familiares de Diogênio Mayer lamentaram a perda nas redes sociais, lembrando-o como um homem alegre, generoso e dedicado à família.
Relembre o caso do militar de Boa Vista
O crime ocorreu na noite de domingo (19), em uma residência localizada dentro de uma vila militar, no bairro São Francisco, zona Leste de Boa Vista.
De acordo com o boletim da PMRR, o militar de Boa Vista, tenente-coronel K.Y.N. havia discutido e agredido fisicamente a esposa e a filha.
A filha, desesperada, procurou ajuda com o tio (cunhado do militar) e com o avô (Diogênio Mayer).
Durante a tentativa de intervir, o cunhado entrou em luta corporal com o militar. Em meio à confusão, o tenente-coronel sacou sua arma e efetuou disparos, atingindo o sogro, que acabou caindo no local.
O suspeito foi preso em flagrante pela Polícia Militar e conduzido ao Plantão Central da Polícia Civil, sendo posteriormente levado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) e à Justiça Militar.
O caso gerou forte repercussão em Roraima, por envolver um oficial de alta patente do Exército e ocorrer dentro de um ambiente militar.
Justiça e investigação em andamento
A morte em vila militar de Boa Vista reacende o debate sobre violência doméstica em ambientes militares e a necessidade de protocolos mais rígidos de prevenção. A Polícia Civil continua ouvindo testemunhas e analisando os laudos balísticos para definir o enquadramento final do crime.
O Exército Brasileiro informou que o tenente-coronel segue preso e que um inquérito policial militar foi instaurado para apurar responsabilidades administrativas e criminais.
O que caracteriza violência doméstica?
A violência doméstica inclui qualquer tipo de agressão física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral cometida no ambiente familiar.
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) protege mulheres, crianças, idosos e pessoas vulneráveis dessas situações.
O que fazer ao presenciar uma agressão?
Se você presenciar ou ouvir indícios de agressão:
Ligue imediatamente para o 190 (Polícia Militar);
Se houver risco de morte, não tente intervir fisicamente — acione o socorro;
Registre a denúncia anônima no Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou Disque 100 (Direitos Humanos).
Como pedir uma medida protetiva?
A vítima deve procurar uma delegacia (DEAM ou plantão policial) para registrar ocorrência e solicitar Medida Protetiva de Urgência (MPU).
Essa medida obriga o agressor a manter distância, sair de casa e evitar contato com a vítima.
O que acontece quando o agressor é militar?
Quando o autor da violência é integrante das Forças Armadas, o caso pode tramitar tanto na Justiça Comum (pelos crimes praticados contra civis) quanto na Justiça Militar, conforme a gravidade e o tipo de infração.
No caso do militar de Boa Vista K.Y.N., ele responderá por homicídio e violência doméstica, e o Exército acompanha a investigação.
