Julgamento do caso Henry Borel termina com condenação de Jairinho a quase 44 anos e perdão judicial para Monique

Redação
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Foto: Reprodução G1

O julgamento do caso Henry Borel chegou ao fim na madrugada desta quinta-feira (4) após dez dias de sessões que entraram para a história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O desfecho trouxe uma condenação severa para o ex-vereador Dr. Jairinho e uma decisão controversa em relação à mãe da criança, Monique Medeiros.

Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Já Monique Medeiros teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo e recebeu perdão judicial.

O resultado provocou fortes reações da acusação, da defesa e da opinião pública, reacendendo o debate sobre responsabilidade parental, proteção infantil e violência contra crianças.

Julgamento do caso Henry Borel: como foi a decisão do Tribunal do Júri

O Conselho de Sentença entendeu que Jairinho foi o responsável pela morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos, ocorrida em março de 2021.

Durante a leitura da sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro destacou que o ex-vereador demonstrou uma personalidade marcada pela dissimulação e pelo comportamento manipulador.

A magistrada fixou as seguintes penas:

  • 35 anos, 6 meses e 20 dias pelo homicídio;
  • 6 anos e 3 meses pelo crime de tortura;
  • 2 anos por coação no curso do processo.

Ao todo, a pena chegou a quase 44 anos de prisão em regime fechado.

Um dos momentos mais curiosos do julgamento ocorreu justamente durante a leitura da sentença. Jairinho não estava presente na sala de audiências e ouviu a condenação do corredor do fórum.

Enquanto isso, Monique permaneceu diante da magistrada durante toda a leitura.

julgamento do caso Henry Borel
Foto: Brunno Dantas/TJRJ

Os bastidores que marcaram o julgamento

O encerramento do julgamento do caso Henry Borel foi marcado por episódios que chamaram a atenção.

Após receber o perdão judicial, Monique Medeiros se emocionou e fez um gesto de coração com as mãos direcionado aos familiares que acompanhavam a sessão.

Outro momento que repercutiu foi uma fala da própria juíza aos advogados de Jairinho.

Durante os agradecimentos finais, Elizabeth Machado Louro afirmou:

“A bancada do Jairinho deu muito trabalho, mas eu aprendi a gostar de vocês.”

A declaração ocorreu após uma série de embates processuais envolvendo a defesa do ex-vereador ao longo dos últimos meses.

Durante o processo, os advogados chegaram a abandonar o plenário, solicitar adiamentos e apresentar pedidos para transferir o julgamento para outra comarca.

O que aconteceu com Monique Medeiros?

Uma das maiores polêmicas do caso envolve justamente a situação de Monique Medeiros.

Os jurados concluíram que ela não participou diretamente do homicídio doloso nem assumiu conscientemente o risco de matar o filho.

Entretanto, o Conselho de Sentença reconheceu que houve negligência.

Por isso, a acusação de homicídio doloso foi desclassificada para homicídio culposo.

Além disso, Monique foi condenada por omissão diante da tortura sofrida por Henry.

A pena fixada foi de:

  • 1 ano e 4 meses de detenção;
  • Regime aberto.

Como ela já havia permanecido presa durante parte do processo, a juíza considerou a pena integralmente cumprida.

Posteriormente, a magistrada concedeu perdão judicial pelo homicídio culposo.

O que é o perdão judicial aplicado a Monique?

O perdão judicial está previsto no Código Penal brasileiro.

Ele permite que o juiz deixe de aplicar a pena quando as consequências do crime já atingem de forma extremamente severa o próprio condenado.

Na sentença, Elizabeth Machado Louro argumentou que Monique sofreu uma reação social intensa ao longo dos últimos cinco anos.

Segundo a magistrada, houve uma cobrança social excessiva baseada em questões de gênero.

A juíza chegou a afirmar:

“Fosse o pai e não a mãe, na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado.”

Essa justificativa gerou forte repercussão nacional.

Por que a acusação pretende recorrer?

O Ministério Público anunciou que pretende recorrer da decisão relacionada a Monique.

Segundo os promotores, houve uma alteração nos quesitos apresentados aos jurados durante a votação.

Na visão da acusação, a reformulação influenciou diretamente o resultado final.

O pai de Henry, Leniel Borel, foi um dos mais críticos à decisão.

Ele classificou o perdão judicial concedido à mãe do menino como:

“A terceira morte de Henry.”

Os assistentes de acusação afirmam que buscarão a anulação parcial do julgamento.

Julgamento do caso Henry Borel
Henry Borel — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O que diz a Lei Henry Borel sobre casos de violência contra crianças?

A repercussão nacional da morte de Henry levou à criação da chamada Lei Henry Borel.

Sancionada em maio de 2022, a legislação fortaleceu os mecanismos de proteção às crianças vítimas de violência doméstica.

Entre os principais pontos da lei estão:

  • Medidas protetivas específicas para crianças e adolescentes;
  • Atendimento prioritário às vítimas;
  • Ampliação dos instrumentos de investigação;
  • Reforço na atuação das autoridades em situações de violência familiar.

Além disso, homicídios praticados contra crianças e adolescentes passaram a receber tratamento mais rigoroso pela legislação penal.

O julgamento do caso Henry Borel voltou a colocar essa legislação no centro do debate público sobre proteção infantil.

Relembre o crime que chocou o Brasil

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021.

Na madrugada daquele dia, ele foi levado ao Hospital Barra D’Or por Monique Medeiros e Jairinho.

O casal alegou inicialmente que o menino havia sofrido uma queda da cama.

Entretanto, os laudos periciais apontaram outra realidade.

Os exames identificaram:

  • Hemorragia interna;
  • Laceração hepática;
  • Diversas lesões corporais;
  • Sinais compatíveis com agressões violentas.

A reconstituição do caso concluiu que Henry apresentava 23 lesões causadas por ações violentas.

Desde então, o episódio se tornou um dos casos criminais mais acompanhados da história recente do Brasil.

O que acontece agora?

Mesmo com o encerramento do júri, o processo ainda não está totalmente encerrado.

A defesa de Jairinho informou que pretende recorrer buscando a anulação da condenação.

Por outro lado, o Ministério Público também pretende contestar a decisão que beneficiou Monique Medeiros.

Isso significa que novos capítulos judiciais ainda podem surgir nos próximos meses.

Enquanto isso, Jairinho permanece preso e continuará cumprindo a pena imposta pelo Tribunal do Júri.

O desfecho do julgamento do caso Henry Borel representa um marco na Justiça brasileira. A condenação de Jairinho encerra uma longa batalha judicial iniciada após a morte do menino em 2021. Ao mesmo tempo, o perdão judicial concedido a Monique Medeiros divide opiniões e promete continuar gerando debates jurídicos e sociais.

Mesmo após o encerramento do júri, o caso ainda deve permanecer em evidência, especialmente diante dos recursos anunciados pelas partes envolvidas e da relevância que o episódio teve para a criação de mecanismos de proteção à infância no Brasil.

O que decidiu o julgamento do caso Henry Borel?

Jairinho foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo. Monique Medeiros recebeu perdão judicial pelo homicídio culposo.

Monique Medeiros foi absolvida?

Não. Ela foi condenada por homicídio culposo e omissão diante da tortura, mas recebeu perdão judicial em relação ao homicídio.

Por que Jairinho foi condenado?

Os jurados entenderam que ele foi o responsável pelas agressões que causaram a morte de Henry Borel.

O julgamento do caso Henry Borel pode ser anulado?

Sim. Tanto a defesa de Jairinho quanto a acusação anunciaram que pretendem recorrer da decisão.

O que é a Lei Henry Borel?

É uma legislação criada após a morte do menino para ampliar a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.

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Conteúdo elaborado pela Direção de Redação do Portal Raniely Carvalho, com produção realizada por equipe graduada e especializada, seguindo critérios técnicos e editoriais.
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