O casal de pastores suspeito de abuso sexual em Roraima, Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza, ambos de 24 anos, está sendo investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) sob a acusação de abusar sexualmente de ao menos seis adolescentes em Roraima. De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos utilizavam-se sistematicamente da fé e da confiança para consumar os atos.
A investigação começou em abril, após uma adolescente de 14 anos denunciar o caso. Posteriormente, outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, relataram abusos semelhantes. O esquema envolvia manipulação psicológica, promessas financeiras via PIX, vantagens e jantares para garantir o silêncio das vítimas.
O que diz a lei sobre o abuso de autoridade religiosa em Roraima
As práticas imputadas ao casal revelam uma complexa engrenagem criminosa. No âmbito jurídico, o abuso de autoridade religiosa em Roraima não exime os suspeitos de responderem pelas leis penais comuns.
Wenderson Lima de Souza é investigado por seis crimes graves:
- Estupro de vulnerável (Artigo 217-A do Código Penal)
- Importunação sexual (Artigo 215-A)
- Favorecimento da exploração sexual de adolescente (Artigo 218-B)
- Registro não autorizado de intimidade sexual (Artigo 218-C)
- Fraude processual (Artigo 347)
- Falsidade ideológica (Artigo 299)
Já a pastora Arielly responde como coautora por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. Por envolver vítimas menores de idade e uma relação de poder e confiança espiritual, o caso do casal de pastores suspeito de abuso sexual em Roraima pode ter as penas significativamente aumentadas se houver condenação, uma vez que o Código Penal prevê agravantes quando o agente se aproveita de relações de coabitação, hospitalidade ou liderança de qualquer natureza para cometer crimes sexuais.
Dissimulação e tentativa de destruição de provas
Segundo a delegada titular da DPCA, Kamilla Basto, o que tornou a investigação do casal de pastores suspeito de abuso sexual em Roraima desafiadora foi o elevado grau de dissimulação dos investigados. Eles usavam regras do próprio estatuto da igreja — que previa o desligamento de membros que se rebelassem contra a liderança — para calar as vítimas e seus familiares.
Além disso, o pastor tentou destruir provas cruciais. Ele teria ordenado que uma jovem de 20 anos, auxiliada por uma adolescente, destruísse seu aparelho celular. Para tentar encobrir o ato, ele ainda orientou uma das vítimas a registrar um boletim de ocorrência falso comunicando a perda do telefone. Devido a isso, a jovem de 20 anos foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.
Nenhum cargo eclesiástico ou posição social coloca indivíduos acima da lei penal. As apurações continuam e os desdobramentos do casal de pastores suspeito de abuso sexual em Roraima seguem sob acompanhamento da Justiça Estadual.
Como os suspeitos manipulavam as vítimas?
O esquema funcionava de maneira casada: a pastora se aproximava das adolescentes e ganhava sua simpatia, enquanto o pastor usava interpretações distorcidas de passagens bíblicas para convencê-las de que as práticas tinham finalidades de conexão espiritual.
Por que as vítimas demoraram a denunciar?
Além da manipulação religiosa e da oferta de mimos (como jantares e transferências de PIX), as adolescentes temiam ser desligadas da igreja e acusadas de "rebeldia" contra a autoridade eclesiástica, conforme ditava o próprio estatuto da congregação.
O que aconteceu com a pessoa que tentou ajudar o pastor a apagar as provas?
Uma jovem de 20 anos que aceitou o pedido de Wenderson para destruir o celular dele foi identificada e devidamente indiciada pela polícia pelos crimes de fraude processual e corrupção de menores.
