Mulher agredida após cobrar PIX de R$ 300 do companheiro em Roraima; caso é investigado como violência doméstica

Redação
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Uma mulher agredida após cobrar PIX do companheiro mobilizou a Polícia Militar em Boa Vista, Roraima. A vítima, de 27 anos, denunciou ter sido atacada com socos depois de pedir a devolução de R$ 300, valor que, segundo ela, era de sua propriedade, mas estava depositado na conta bancária do homem.

O caso aconteceu na quarta-feira (8), no bairro Jardim Floresta, zona Oeste da capital, e foi registrado como lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica, sendo encaminhado para investigação pelas autoridades competentes.

Como ocorreu a agressão

Segundo o relato da vítima à Polícia Militar de Roraima, a discussão começou quando ela solicitou que o companheiro realizasse uma transferência via PIX no valor de R$ 300.

Ainda conforme o depoimento, o homem se recusou a devolver o dinheiro, dando início a uma discussão que evoluiu para agressões físicas.

A mulher afirmou que recebeu diversos socos e que um dos golpes fez com que ela batesse a cabeça contra a parede, causando um inchaço na testa.

Relacionamento de cinco anos e conflitos anteriores

A vítima informou aos policiais que mantém um relacionamento com o suspeito há aproximadamente cinco anos.

Ela também relatou que, há cerca de quatro meses, o companheiro estaria tentando expulsá-la da residência onde vivem. Segundo seu depoimento, ele afirma que ela não teria condições de cuidar do filho do casal, de apenas 3 anos, e exige que deixe o imóvel sem levar a criança.

Essas informações deverão ser analisadas durante a investigação para verificar se havia histórico de violência psicológica, patrimonial ou física.

Versão apresentada pelo suspeito

Ao ser ouvido pelos policiais, o homem negou ter cometido as agressões.

Segundo ele, a transferência não foi realizada porque a companheira teria quebrado seu telefone celular dias antes e porque ele não tinha certeza de que o dinheiro realmente pertencia a ela.

Apesar da negativa, a Polícia Militar conduziu o suspeito à delegacia para os procedimentos legais.

Polícia encaminhou casal à delegacia

De acordo com a ocorrência policial, o suspeito foi algemado e conduzido juntamente com a vítima à delegacia.

O caso foi registrado como lesão corporal dolosa praticada no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, permanecendo sob investigação.

O que diz a Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha é considerada uma das principais legislações brasileiras de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

A norma estabelece mecanismos para prevenir, punir e combater diferentes formas de violência praticadas contra mulheres, independentemente de casamento formal ou tempo de convivência.

Ela reconhece cinco modalidades principais de violência:

  • Violência física: agressões que atingem a integridade corporal, como socos, chutes, empurrões e lesões.
  • Violência psicológica: ameaças, humilhações, manipulação, perseguição, chantagem e isolamento.
  • Violência moral: calúnia, difamação e injúria.
  • Violência sexual: qualquer ato sexual sem consentimento ou mediante coerção.
  • Violência patrimonial: retenção, destruição ou controle de bens, documentos, dinheiro e recursos financeiros da vítima.

No caso registrado em Boa Vista, as autoridades investigam inicialmente o crime de lesão corporal no contexto de violência doméstica, sem prejuízo de eventual enquadramento em outros crimes caso surjam novos elementos durante a apuração.

Violência patrimonial também é prevista em lei

Além das agressões físicas, especialistas lembram que a retenção indevida de recursos financeiros da companheira pode, dependendo das circunstâncias, caracterizar violência patrimonial, prevista no artigo 7º da Lei Maria da Penha.

Essa modalidade ocorre quando o agressor controla, retém, subtrai ou impede que a mulher tenha acesso aos seus próprios bens ou recursos financeiros, como forma de exercer poder ou controle sobre ela.

Cada caso, no entanto, deve ser analisado individualmente pelas autoridades competentes.

Como denunciar casos de violência doméstica

Mulheres vítimas de violência podem buscar ajuda por diferentes canais:

  • 190 – Polícia Militar (em situações de emergência);
  • 180 – Central de Atendimento à Mulher;
  • Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM);
  • Ministério Público e Defensoria Pública.

Em situações de risco iminente, a orientação é procurar ajuda imediatamente e preservar provas, como mensagens, fotografias e laudos médicos, quando possível.

O que motivou a discussão?

Segundo a vítima, ela pediu que o companheiro devolvesse R$ 300 por meio de uma transferência PIX.

O homem confirmou as agressões?

Não. Ele negou ter agredido a companheira e afirmou que apenas recusou a transferência por discordar da propriedade do dinheiro.

Qual crime está sendo investigado?

O caso foi registrado como lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica.

A Lei Maria da Penha protege apenas mulheres casadas?

Não. A lei protege mulheres que mantêm ou mantiveram relacionamento íntimo de afeto com o agressor, independentemente de casamento.

O controle do dinheiro da companheira pode ser considerado violência?

Dependendo das circunstâncias, sim. A Lei Maria da Penha prevê a violência patrimonial, quando há retenção ou controle indevido de bens ou recursos financeiros da vítima.

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Conteúdo elaborado pela Direção de Redação do Portal Raniely Carvalho, com produção realizada por equipe graduada e especializada, seguindo critérios técnicos e editoriais.
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