Uma megaoperação deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), com apoio da Polícia Civil, colocou no centro das investigações o Banco de Brasília (BRB), o PicPay, a Secretaria de Economia do Distrito Federal e o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev).
A ação, batizada de Operação Juro Zero, apura uma suspeita de fraude no PicPay e BRB relacionada a descontos aplicados em folhas de pagamento de servidores públicos distritais.
Ao todo, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Curitiba. A Justiça também determinou o bloqueio de quase R$ 90 milhões em contas ligadas ao PicPay e à Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal.
Como surgiu a suspeita de fraude no PicPay e BRB?
Segundo as investigações, um decreto publicado em agosto de 2024 abriu caminho para que o PicPay passasse a operar serviços ligados à folha de pagamento dos servidores do Governo do Distrito Federal.
Poucos dias após a publicação da norma, a empresa formalizou interesse em atuar no sistema e oferecer um serviço de antecipação salarial aos funcionários públicos.
O problema surgiu quando órgãos de controle identificaram que servidores que optavam pela antecipação salarial estariam sofrendo descontos classificados como “taxas”, mesmo diante da divulgação do produto como uma modalidade sem juros.
De acordo com o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), entre agosto de 2024 e agosto de 2025 foram descontados mais de R$ 80 milhões dos contracheques dos servidores sob a rubrica de taxas.
O órgão apontou que, independentemente da nomenclatura utilizada, a cobrança possuía características de juros e representava custo financeiro ao trabalhador.
Quem são os investigados?
A investigação envolvendo a suspeita de fraude no PicPay e BRB tem como principais alvos:
- Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF;
- Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB;
- Eduardo Chedid Simões, CEO do PicPay;
- Integrantes da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal;
- Servidores públicos ligados à operação investigada.
Segundo o Ministério Público, os fatos podem envolver supostas irregularidades na implementação e operacionalização do sistema de descontos.

Foto: Divulgação/PicPay
Quais crimes estão sendo investigados?
Os investigadores apuram possíveis práticas relacionadas a:
- Organização criminosa;
- Lavagem de dinheiro;
- Corrupção ativa e passiva;
- Inserção de dados falsos em sistemas públicos;
- Publicidade enganosa;
- Crimes contra a economia popular.
Até o momento, não houve pedidos de prisão relacionados à operação.
O que dizem PicPay e Secretaria de Economia?
Em nota oficial, o PicPay afirmou que não reconhece qualquer irregularidade nas operações investigadas e negou a existência de cobranças indevidas.
A empresa declarou que todos os serviços seguem a regulamentação vigente e que continuará colaborando com as autoridades.
Já a Secretaria de Economia informou que a investigação tem como foco a conduta de agentes públicos específicos e não a atuação institucional da pasta.
Por que o caso ganhou repercussão nacional?
A suspeita de fraude no PicPay e BRB ganhou grande repercussão porque envolve milhões de reais descontados de servidores públicos e atinge instituições financeiras de grande relevância no mercado nacional.
Além disso, entre os investigados está Eduardo Chedid, executivo que já havia sido citado anteriormente em apurações relacionadas aos descontos indevidos do INSS.
Outro fator que ampliou a repercussão foi o bloqueio judicial de quase R$ 90 milhões, medida considerada uma das mais expressivas dentro da investigação.
O que acontece agora?
Com as buscas realizadas, investigadores irão analisar documentos, equipamentos eletrônicos, contratos e registros financeiros apreendidos durante a operação.
O material servirá para verificar se realmente houve irregularidades na cobrança das taxas e qual teria sido a participação de cada investigado.
Enquanto isso, a suspeita de fraude no PicPay e BRB segue sob análise do Ministério Público, da Polícia Civil e dos órgãos de controle do Distrito Federal.
O que é a Operação Juro Zero?
É uma investigação do Ministério Público e da Polícia Civil que apura possíveis descontos irregulares em contracheques de servidores do Distrito Federal.
O PicPay foi acusado formalmente?
Não. A empresa é alvo da investigação e nega qualquer irregularidade.
Quanto dinheiro teria sido descontado dos servidores?
Segundo o Tribunal de Contas do DF, mais de R$ 80 milhões foram descontados entre 2024 e 2025.
Houve bloqueio de valores?
Sim. A Justiça determinou o bloqueio de quase R$ 90 milhões em contas ligadas ao caso.
Quem são os principais investigados?
Entre eles estão o ex-secretário Ney Ferraz, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o CEO do PicPay, Eduardo Chedid.
