Surto de hantavírus em navio mobiliza operação internacional e coloca OMS em alerta

Redação
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O avanço do surto de hantavírus em navio levou autoridades sanitárias internacionais a organizarem uma grande operação de repatriação de passageiros nas Ilhas Canárias, na Espanha. O cruzeiro MV Hondius, que partiu da Argentina em abril, registrou ao menos seis casos confirmados da doença e três mortes entre os ocupantes.

A operação começou neste domingo (10), no porto de Granadilla, em Tenerife, e deve ser concluída até segunda-feira (11), segundo autoridades espanholas.

Apesar da preocupação global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou que o risco atual para a população em geral continua sendo considerado baixo.

Como aconteceu o surto de hantavírus em navio

O navio MV Hondius partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, no dia 1º de abril, em uma rota internacional que incluía diversos países.

Dias após o embarque, passageiros começaram a apresentar sintomas compatíveis com hantavirose. Com o agravamento dos casos e a confirmação laboratorial da doença, o navio passou a ser monitorado pelas autoridades sanitárias internacionais.

Segundo a OMS, até o momento:

  • 6 casos foram confirmados;
  • 8 casos são investigados;
  • 3 passageiros morreram.

As vítimas incluem:

  • um casal holandês;
  • uma passageira alemã.

A OMS informou que outros casos suspeitos continuam sendo monitorados em diferentes países.

Repatriação envolve esquema sanitário rigoroso

Os cerca de 150 ocupantes do cruzeiro começaram a desembarcar usando equipamentos de proteção individual.

Os passageiros foram levados em pequenos grupos até o porto por lanchas e depois transportados em ônibus especiais até o aeroporto de Tenerife Sul.

Ao chegarem ao aeroporto:

  • trocaram os trajes de proteção;
  • passaram por desinfecção;
  • seguiram em voos monitorados para seus países de origem.

Neste domingo, houve voos para:

  • Países Baixos;
  • Canadá;
  • Turquia;
  • França;
  • Reino Unido;
  • Irlanda;
  • Estados Unidos.

Já o último voo, destinado à Austrália, está previsto para segunda-feira.

navio com surto de hantavírus
navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus. — Foto: AFP

OMS diz que situação não é uma nova pandemia

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, tentou conter o clima de preocupação internacional.

Segundo ele:

“Isto não é outra covid.”

A OMS afirmou que o risco atual de disseminação ampla permanece baixo, embora o vírus exija monitoramento por causa do longo período de incubação e da gravidade potencial da doença.

A organização também destacou que especialistas acompanham diretamente os passageiros e os países envolvidos no rastreamento internacional dos contatos.

O que é hantavírus?

O hantavírus é um grupo de vírus transmitido principalmente por roedores silvestres.

Em humanos, ele pode causar a chamada hantavirose, doença que pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), considerada grave.

No Brasil, o Ministério da Saúde acompanha casos da doença principalmente em áreas rurais e silvestres.

Como o hantavírus é transmitido?

A principal forma de transmissão ocorre pela inalação de partículas contaminadas presentes:

  • na urina;
  • nas fezes;
  • na saliva de roedores infectados.

Essas partículas podem ficar suspensas no ar em locais fechados ou pouco ventilados.

Outras formas possíveis de transmissão incluem:

  • contato do vírus com olhos, nariz ou boca;
  • cortes causados por roedores;
  • contato direto com superfícies contaminadas.

Em alguns casos específicos registrados na Argentina e no Chile, houve relatos raros de transmissão entre pessoas associada ao hantavírus Andes.

Quais são os sintomas do hantavírus?

Os sintomas iniciais podem se parecer com outras infecções virais.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • febre;
  • dores musculares;
  • fadiga intensa;
  • dor de cabeça;
  • tontura;
  • calafrios;
  • dores abdominais.

Nos casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para:

  • insuficiência respiratória;
  • comprometimento pulmonar;
  • problemas cardiovasculares;
  • síndrome respiratória aguda grave.

Existe vacina ou tratamento?

Atualmente, não existe vacina específica nem tratamento antiviral definitivo para hantavirose.

O tratamento é baseado no controle dos sintomas e suporte intensivo ao paciente, podendo incluir:

  • oxigenoterapia;
  • ventilação mecânica;
  • internação em UTI;
  • monitoramento cardiovascular;
  • diálise em alguns casos graves.

Quanto mais cedo houver atendimento médico, maiores as chances de recuperação.

Países monitoram possíveis novos casos

O surto de hantavírus em navio levou vários países a iniciarem monitoramento preventivo de pessoas que tiveram contato com passageiros infectados.

Entre os países com monitoramento ativo estão:

  • França;
  • Holanda;
  • Singapura;
  • Estados Unidos.

Segundo autoridades internacionais:

  • uma comissária da KLM foi internada na Holanda;
  • passageiros em Singapura foram isolados;
  • estados americanos monitoram pacientes com sintomas compatíveis.

A OMS informou que trabalha junto aos governos para rastrear contatos e impedir novas transmissões.

Por que o caso chamou atenção mundial

Embora o hantavírus seja raro, o caso ganhou repercussão internacional por envolver:

  • mortes em um cruzeiro internacional;
  • múltiplos países;
  • necessidade de evacuação sanitária;
  • risco de transmissão em ambientes fechados.

Além disso, o episódio ocorre em um momento de alta vigilância mundial após a pandemia de covid-19, aumentando a preocupação com possíveis surtos internacionais.

O surto de hantavírus em navio mobilizou autoridades sanitárias internacionais, operações de repatriação e monitoramento em diversos países. Apesar da gravidade dos casos registrados e das mortes confirmadas, a OMS reforça que a situação está sob controle e não representa, neste momento, uma ameaça comparável à pandemia de covid-19.

O que aconteceu no navio MV Hondius?

O cruzeiro registrou casos confirmados de hantavírus, incluindo três mortes entre passageiros.

Quantos casos foram confirmados?

Segundo a OMS, seis casos foram confirmados até agora.

O hantavírus é transmitido entre pessoas?

Na maioria dos casos, não. Porém, algumas variantes raras registraram transmissão pessoa a pessoa na América do Sul.

Existe vacina contra hantavírus?

Não existe vacina nem tratamento específico atualmente.

A OMS considera risco de pandemia de hantavírus?

Não. A organização afirmou que o risco atual para a saúde pública global continua baixo.

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Conteúdo elaborado pela Direção de Redação do Portal Raniely Carvalho, com produção realizada por equipe graduada e especializada, seguindo critérios técnicos e editoriais.
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