Crimes de injúria racial e intolerância religiosa em Boa Vista: adolescentes são investigados por perseguição contra estudante de religião de matriz africana

Redação
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A Polícia Civil de Roraima concluiu a investigação sobre um grave caso de crimes de injúria racial e intolerância religiosa em Boa Vista, envolvendo perseguições, humilhações e violência psicológica contra um estudante de 17 anos em uma escola estadual localizada no bairro Jóquei Clube.

Segundo as investigações, dois adolescentes foram responsabilizados por atos infracionais relacionados à prática de discriminação racial e religiosa contra a vítima, que praticava religião de matriz africana.

O caso chamou atenção pela repetição dos ataques dentro do ambiente escolar e reacendeu o debate sobre racismo religioso, bullying e intolerância contra religiões afro-brasileiras.

Como aconteceram os crimes de injúria racial e intolerância religiosa em Boa Vista

De acordo com a Polícia Civil, os episódios começaram em junho de 2025 e se intensificaram nos meses seguintes.

Segundo o delegado Leonardo Strunz, os adolescentes passaram a perseguir constantemente o estudante durante o intervalo das aulas, utilizando apelidos ofensivos ligados à religião praticada pela vítima.

Entre os termos usados pelos investigados estavam:

  • “Zé Pilintra”;
  • “Anticristo”.

As expressões eram utilizadas de forma pejorativa para constranger e humilhar o estudante diante de outros colegas.

Vítima sofria perseguições constantes dentro da escola

As investigações apontaram que os ataques não foram casos isolados.

Segundo a Polícia Civil, foi identificado:

  • histórico contínuo de bullying;
  • discriminação religiosa;
  • humilhações públicas;
  • violência psicológica;
  • perseguições dentro da unidade escolar.

O delegado informou que foram reunidos:

  • depoimentos;
  • documentos internos da escola;
  • relatórios pedagógicos;
  • registros disciplinares.

Todo o material confirmou a prática reiterada de ataques contra o adolescente.

O que diz a lei sobre crimes de injúria racial e intolerância religiosa em Boa Vista

O caso foi investigado com base na Lei nº 14.532/2023, que trouxe mudanças importantes na legislação brasileira.

A norma equiparou o crime de injúria racial ao crime de racismo.

Isso significa que:

  • o crime se tornou imprescritível;
  • não cabe fiança;
  • a punição ficou mais severa.

O que é injúria racial?

A injúria racial acontece quando alguém:

  • ofende;
  • humilha;
  • agride verbalmente;
  • utiliza elementos ligados à raça, cor, etnia ou religião para atacar outra pessoa.

No caso investigado em Boa Vista, as ofensas estavam diretamente relacionadas à religião de matriz africana praticada pela vítima.

Intolerância religiosa também é crime

A Constituição Federal garante:

  • liberdade religiosa;
  • direito de crença;
  • proteção contra discriminação.

A intolerância religiosa ocorre quando alguém:

  • ridiculariza crenças;
  • promove perseguições;
  • discrimina práticas religiosas;
  • incentiva violência ou exclusão social.

Religiões de matriz africana, como Umbanda e Candomblé, frequentemente são alvo de preconceito no Brasil.

Quais punições podem ser aplicadas

Como os envolvidos são adolescentes, o caso é tratado como ato infracional.

O processo foi encaminhado ao Ministério Público de Roraima, que vai analisar quais medidas socioeducativas poderão ser adotadas.

Entre as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estão:

  • advertência;
  • obrigação de reparar danos;
  • prestação de serviços à comunidade;
  • liberdade assistida;
  • acompanhamento psicológico;
  • medidas educativas.

A escola também adotou medidas

Segundo a Polícia Civil, a escola tomou providências administrativas após os episódios.

Entre as ações adotadas estão:

  • mediações internas;
  • acompanhamento pedagógico;
  • registros disciplinares;
  • transferência compulsória dos adolescentes investigados.

O objetivo foi interromper as agressões e proteger a vítima.

Religiões de matriz africana e o preconceito no Brasil

Os casos de intolerância contra religiões afro-brasileiras continuam crescendo em várias regiões do país.

Praticantes dessas religiões frequentemente enfrentam:

  • discriminação;
  • ataques verbais;
  • perseguições;
  • estigmatização;
  • violência simbólica.

Expressões religiosas ligadas à Umbanda e ao Candomblé ainda são alvo de preconceito histórico por desinformação e intolerância cultural.

Quem é Zé Pilintra?

Um dos apelidos usados pelos adolescentes foi “Zé Pilintra”.

Na Umbanda, Zé Pilintra é uma entidade espiritual bastante conhecida e respeitada.

Utilizar o nome de forma ofensiva para ridicularizar alguém pode configurar discriminação religiosa quando há intenção de humilhar ou inferiorizar a crença da vítima.

Bullying escolar pode virar caso de polícia

O caso mostra como situações inicialmente tratadas como “brincadeiras” podem evoluir para crimes graves.

Quando o bullying envolve:

  • raça;
  • religião;
  • origem;
  • orientação sexual;
  • deficiência;
  • etnia;

ele pode ultrapassar o ambiente escolar e gerar responsabilização criminal.

Importância da denúncia

Especialistas alertam que vítimas de discriminação precisam denunciar os casos.

A denúncia ajuda:

  • a interromper o ciclo de violência;
  • proteger outras vítimas;
  • responsabilizar os envolvidos;
  • combater a impunidade.

Em casos semelhantes, a orientação é procurar:

  • direção da escola;
  • Conselho Tutelar;
  • Polícia Civil;
  • Ministério Público;
  • Defensoria Pública.

O caso gerou preocupação sobre a necessidade de:

  • combate ao preconceito nas escolas;
  • educação sobre diversidade religiosa;
  • políticas contra bullying;
  • fortalecimento da cultura de respeito.

Especialistas afirmam que a escola precisa atuar não apenas na punição, mas também na conscientização dos estudantes.

O que aconteceu na escola em Boa Vista?

Dois adolescentes são investigados por perseguições e ofensas contra um estudante de religião de matriz africana.

Quais ofensas foram usadas?

Segundo a investigação, a vítima era chamada de “Zé Pilintra” e “Anticristo” de forma pejorativa.

O caso foi tratado como racismo?

Sim. A investigação teve base na Lei nº 14.532/2023, que equipara injúria racial ao crime de racismo.

Os adolescentes podem ser presos?

Como são menores de idade, eles respondem por ato infracional e podem receber medidas socioeducativas.

Intolerância religiosa é crime no Brasil?

Sim. A Constituição garante liberdade religiosa, e atos de discriminação podem gerar punições civis e criminais.

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Conteúdo elaborado pela Direção de Redação do Portal Raniely Carvalho, com produção realizada por equipe graduada e especializada, seguindo critérios técnicos e editoriais.
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