O caso da patroa que agrediu empregada doméstica no Maranhão ganhou um novo desdobramento nesta quinta-feira (7). A defesa da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos afirmou que ela também está grávida e pretende pedir prisão domiciliar durante a audiência de custódia.
Carolina foi presa em Teresina, no Piauí, após a Justiça do Maranhão decretar prisão preventiva por suspeita de agressão, tortura, ameaças e violência psicológica contra uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses.
O episódio chocou o país após a divulgação de áudios em que a própria empresária narra as agressões e afirma que a vítima “não era pra ter saído viva”.
Defesa afirma que patroa que agrediu empregada doméstica está grávida de um mês
Segundo a advogada Nathaly Moraes Silva, Carolina está com aproximadamente um mês de gestação.
A defesa informou que pretende usar essa condição para solicitar prisão domiciliar.
Pedido de prisão domiciliar
De acordo com a advogada:
“Dentro da audiência de custódia a gente vai tentar prisão domiciliar pelo fato de ela estar grávida e de ter um filho menor de 6 anos.”
A legislação brasileira prevê possibilidade de prisão domiciliar para:
- mulheres grávidas;
- mães de crianças pequenas;
- mulheres responsáveis por filhos menores.
No entanto, o benefício não é automático e depende da análise da Justiça, especialmente em casos considerados graves.
Polícia afirma que empresária tentava fugir
A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que Carolina foi presa enquanto tentava fugir.
A defesa negou essa versão.
Segundo a advogada, ela pretendia:
- se apresentar às autoridades;
- deixar o filho com familiares em Teresina;
- permanecer no Piauí por segurança.
“Ela tem recebido várias ameaças e o caso gerou grande comoção”, afirmou a defesa.
“Ela admite lesão corporal, mas não tortura”, diz advogada
Outro ponto que chamou atenção foi a declaração da defesa sobre os áudios divulgados.
Segundo Nathaly Moraes:
- Carolina não nega as agressões;
- mas contesta a acusação de tortura.
A advogada afirmou ainda que a empresária teria exagerado nos relatos enviados em grupos de mensagens.
“Ela acaba falando coisas que ela não fez. É o comportamento dela ser assim. Ela acaba pecando muito pela língua.”
Áudios chocaram o país
Os áudios obtidos pela TV Mirante se tornaram peças centrais da investigação.
Neles, Carolina descreve em detalhes as agressões cometidas contra a jovem empregada doméstica grávida.
Entre os trechos mais graves estão:
“Quase uma hora essa menina no massacre, tapa e murro e pisava nos dedos.”
E também:
“Era pra ter ficado era mais, não era pra ter saído viva.”
As gravações já foram anexadas oficialmente ao inquérito policial.
Empregada grávida relata sessão de espancamento
Segundo a vítima, as agressões começaram após Carolina acusá-la de ter roubado um anel.
A jovem afirmou que sofreu:
- puxões de cabelo;
- tapas;
- murros;
- chutes;
- ameaças;
- humilhações.
Ela contou ainda que tentou proteger a barriga durante o espancamento por medo de perder o bebê.
“Eles não se importavam.”
Homem armado teria participado da tortura
Nos próprios áudios, Carolina relata que contou com a ajuda de um homem armado.
Segundo a investigação:
- ele teria participado das ameaças;
- colocado arma na cabeça da vítima;
- intimidado a jovem durante as agressões.
A identidade dele ainda não foi divulgada oficialmente.
Anel foi encontrado, mas agressões continuaram
De acordo com o relato da empresária, o anel apareceu dentro de um cesto de roupas sujas.
Mesmo assim, as agressões não pararam.
Em um dos áudios, Carolina diz:
“Dei tanto nessa mulher, eu dei tanto, que até hoje minha mão tá inchada.”
Justiça considerou caso extremamente grave
Ao decretar a prisão preventiva, a Justiça destacou:
- violência física reiterada;
- intensa violência psicológica;
- ameaças de morte;
- possível uso de arma de fogo;
- agressões contra vítima grávida;
- restrição da capacidade de defesa da vítima.
A decisão afirma que a prisão é necessária para:
- proteger a vítima;
- garantir a ordem pública;
- impedir interferências na investigação.
Policial citado nos áudios foi preso
Um policial militar mencionado nas gravações também foi preso em São Luís.
Segundo a empresária, o agente não a levou à delegacia porque a conhecia pessoalmente.
“Sorte minha”, afirmou ela em áudio.
A Corregedoria da PM abriu investigação para apurar possível omissão e favorecimento.
O que diz a lei sobre o caso
O caso da patroa suspeita de agredir empregada doméstica no Maranhão pode envolver diversos crimes graves.
1. Tortura
A Lei nº 9.455/97 prevê punição para quem:
- causa sofrimento físico ou psicológico;
- utiliza violência intensa;
- age mediante ameaça;
- restringe defesa da vítima.
A pena pode aumentar quando:
- a vítima é mulher grávida;
- há uso de arma;
- existe participação de terceiros.
2. Lesão corporal
As agressões físicas também podem configurar:
- lesão corporal grave;
- violência contra gestante;
- violência doméstica psicológica;
- tentativa de homicídio, dependendo da interpretação do Ministério Público.
3. Ameaça
As falas registradas nos áudios podem fortalecer acusações de:
- ameaça;
- coação;
- intimidação;
- violência psicológica.
Defesa tenta reduzir gravidade dos áudios
A principal estratégia da defesa até agora é argumentar que:
- Carolina exagerou nas falas;
- nem tudo dito nos áudios teria realmente acontecido;
- houve “fala impulsiva”.
Por outro lado, a Polícia Civil afirma que:
- os exames comprovaram agressões;
- os hematomas foram confirmados;
- a vítima passou por perícia;
- os áudios são prova importante da autoria.
O delegado Walter Wanderley declarou:
“Não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar.”
O caso da patroa que agrediu empregada doméstica no Maranhão continua provocando forte repercussão nacional pelos detalhes violentos revelados nos áudios e pelos novos desdobramentos envolvendo a prisão da empresária.
A alegação da defesa de que Carolina também está grávida adiciona uma nova discussão jurídica ao processo, especialmente sobre eventual pedido de prisão domiciliar.
Por que Carolina Sthela foi presa?
Ela é investigada por suspeita de agressão, tortura, ameaças e violência psicológica contra uma empregada doméstica grávida.
A empresária também está grávida?
Segundo a defesa, sim. Ela estaria com cerca de um mês de gestação.
A defesa pediu prisão domiciliar?
Ainda vai pedir durante a audiência de custódia, alegando gravidez e maternidade de criança menor de seis anos.
Os áudios são considerados provas?
Sim. A Polícia Civil informou que os áudios foram anexados oficialmente ao inquérito.
O homem armado foi identificado?
Até o momento, a identidade dele não foi divulgada oficialmente.
